Diversidade religiosa em Portugal…

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Diversidade religiosa em Portugal…

Os dados dos últimos três Recenseamentos Gerais da População mostram Portugal como um país maioritariamente católico. Nos Censos de 1991 e 2001 a percentagem de pessoas que se declaravam católicas era superior a 90%, registando-se entre as três décadas uma diminuição de 7 pontos percentuais, assumindo em 2011 os católicos apenas 88% da população residente. A acompanhar esta prevalência da religião católica, tem vindo a aumentar entre décadas a importância relativa da diversidade religiosa em Portugal, observando-se uma ligeira subida na percentagem de residentes não católicos (em 1991 representavam 2% e em 2011 passam para 4%).
 


Nos Recenseamentos Gerais da População de Portugal a pergunta subjacente à religião da população residente foi integrada a partir de 1991, correspondendo à formulação simples “Indique qual é a sua religião”, a partir da qual o inquirido deve escolher uma de oito opções de resposta: católica, ortodoxa, protestante, outra cristã, judaica, muçulmana, outra não cristã, ou sem religião. Trata-se, pois, de uma questão de resposta única, o que não permite captar alguma ambivalência de situações que as pessoas eventualmente vivem. Por outro lado, é também uma questão “fechada”, não permitindo ao inquirido especificar qual a confissão minoritária a que eventualmente pertencerá. Sendo poucas as modalidades de resposta disponíveis e genéricas fica mais difícil promover uma análise mais fina da diversidade religiosa hoje presente em Portugal. No que respeita ao universo inquirido com esta questão, a pergunta foi aplicada a maiores de 12 anos de idade nos Censos de 1991, passando a colocar-se a maiores de 15 anos a partir dos Censos de 2001 (o que pode explicar alguma diminuição de não respostas a esta questão entre os diferentes momentos censitários: de 1991 para 2001 a variação de não respostas é de -47% e de 2001 para 2011 é de -5%). Acresce que, ao contrário do que se verifica na generalidade das questões do inquérito, esta é uma questão de resposta facultativa, podendo os inquiridos recusar responder à pergunta (direito consagrado no n.º 5 do artigo 41.º da Constituição da República Portuguesa e no artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 226/2009, de 14 de Setembro).
 


Entre 1991 e 2001, com exceção da religião judaica (-50%), observou-se um aumento absoluto no número de pessoas associadas às diferentes religiões: +54% de ortodoxos, +31% protestantes, +54% de outros cristãos, +31% muçulmanos, +46% de outros não cristãos. Já na década seguinte, compreendida entre o Recenseamento de 2001 e de 2011, observa-se um decréscimo do número de residentes que declaram ser católicos (-1%, equivalendo a -71.661 pessoas), contrapondo com o aumento acentuado das restantes religiões declaradas pelos inquiridos: +224% de ortodoxos, +56% de protestantes, +33% de outros cristãos, +73% de judeus, +72% de muçulmanos, e +106% de outros não cristãos. Para este crescimento da diversidade religiosa e da expressão de religiões não católicas muito contribuiu o aumento e diversificação da imigração para Portugal em especial desde final do século passado. Importa realçar ainda o aumento das pessoas “sem religião” entre os três momentos censitários: de 1991 para 2011 a população residente em Portugal sem religião quase triplicou (passou de 225,6 mil pessoas para 615 mil pessoas, ou seja, +173%).