188 mil imigrantes/ano para manter juventude

188 mil imigrantes/ano para manter juventude

C.N.
28 de Setembro de 2004, Diário de Notícias

 

A duplicação dos imigrantes nos últimos quatro anos, ultrapassando os 450 mil, é apontada como a segunda principal alteração demográfica do País. A primeira é o envelhecimento dos portugueses, seguindo as tendências de outros países europeus. O fluxo migratório vai continuar, com efeitos positivos na evolução demográfica, mas seriam precisos mais 188 mil estrangeiros por ano para se manter a actual relação de dependência da população idosa, já elevada. 

Cada vez são menos os trabalhadores que contribuem em termos de segurança social para a população idosa. Em 2001, a relação era de quatro activos para um inactivo, a metade de 1991, enquanto a dos imigrantes era de 16 trabalhadores por reformado. Isto porque as comunidades de imigrantes têm maioritariamente entre os 20 e 54 anos. E para se manter o actual Índice de Envelhecimento, 102 idosos por cada cem jovens, seria necessário que entrassem no país 161 mil estrangeiros anualmente. 

São contas de Maria João Rosa e projectam a evolução dos fluxos migratórios até 2021, estudo apresentado ontem no II Congresso Português de Demografia, na sessão sobre migrações internacionais. Mas a investigadora adverte: «Os saldos migratórios positivos podem contribuir decisivamente para um aumento da população. Contudo, e relativamente à evolução da estrutura etária, o envelhecimento deverá prosseguir. Assim, mais do que contrariar a tendência em curso para o envelhecimento, os saldos migratórios positivos servem de "amortecedores" de velocidade». E conclui que «as dinâmicas migratórias positivas não são uma solução para o envelhecimento populacional. Em vez disso, estamos perante duas realidades companheiras na modernização da demogra- fia de Portugal».

Outra questão tem a ver com a integração dos imigrantes. Rui Pena Pires defende a alteração das políticas portuguesas de imigração e que deveria assentar em três vectores: reformulação da lei da nacionalidade; estabilização das políticas migratórias e uma disponibilização de informação sobre a imigração.

Um estudo comparativo de Ioannis Baganha, que entrevistou imigrantes da Europa do Leste em 2002 e em 2004, mostra que, à medida que estes cidadãos adquirem conhecimentos da vida portuguesa, melhoram as suas condições de vida. Recorrem mais aos portugueses para encontrar emprego, auferem salários mais elevados e substituem empregos pouco qualificados, como os de construção civil, por outros mais técnicos, nomeadamente no sector industrial.

 

Notícia publicada no Diário de Notícias, http://www.dn.sapo.pt