Resultados PISA de alunos imigrantes e não imigrantes

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Resultados PISA de alunos imigrantes e não imigrantes

Sabia que, segundo o PISA, Portugal foi o país no qual o desempenho dos estudantes imigrantes mais convergiu com os resultados dos estudantes não imigrantes entre 2006 e 2015?


No âmbito internacional, importa considerar os resultados do teste PISA (Programme for International Student Assessment), desenvolvido pela OCDE, com o intuito de avaliar a literacia de jovens de 15 anos nas áreas da Leitura, Ciências e Matemática, contribuindo assim para a recolha de informação sobre o desempenho dos sistemas educativos de diferentes países do mundo. Na edição mais recente, o PISA 2015, os alunos de Portugal melhoraram os resultados em todas as áreas (especialmente a Matemática e a Ciências), prosseguindo a tendência de evolução positiva que se verifica desde 2000 (a primeira edição do teste internacional PISA): os alunos de Portugal ficaram a acima dos resultados da média dos países da OCDE em todos os domínios, alcançando a 17º posição a Ciências, a 18º em Leitura e a 22º a Matemática (entre os 35 países que integram a OCDE). Relativamente aos alunos imigrantes, Portugal foi o país onde mais se reduziu a distância entre os resultados dos imigrantes e dos restantes alunos.

Em 2006, data do último PISA focado na literacia científica, os estudantes imigrantes tinham um resultado, em média, inferior em 54,9 pontos ao dos colegas sem um percurso migratório. No PISA de 2015, esta diferença reduziu-se para 15,7 pontos, ou seja tornou-se cerca de um terço da média dos países da OCDE (43 pontos). Esta redução de 39,1 pontos na diferença entre os dois grupos de alunos é a maior de todas as registadas no estudo. Este resultado é obtido antes de serem controlados os efeitos da língua falada em casa e do contexto socioeconómico.

Quando controlados os efeitos do contexto socioeconómico e da língua falada em casa, no PISA de 2006, os estudantes imigrantes em Portugal apresentavam um resultado inferior aos colegas autóctones em 57 pontos. No PISA de 2015 esta diferença também se reduziu para 8,4 pontos, quando a média da OCDE se situava nos 18,9 pontos (portanto mais do dobro da diferença registada em Portugal). A redução neste caso foi de 48,6 pontos, representando também a maior redução dos países da OCDE quando controlados os efeitos do contexto socioeconómico e da língua falada em casa (ou seja, quando removidos estes efeitos do estatuto socioeconómico e da língua falada em casa). A redução da diferença entre imigrantes e não imigrantes, através do controlo dessas variáveis, sugere que os obstáculos a melhores desempenhos no PISA que permanecem entre os estudantes relativos às especificidades da sua condição de imigrantes diminuíram substantivamente (o que pode resultar de mudanças na própria composição dos fluxos e das suas características).

O PISA destaca ainda as evoluções da Itália e da Bélgica, cujas diferenças entre não imigrantes e imigrantes caem 25 e 21 pontos, respetivamente. Uma vez controladas as variáveis interferentes referidas, tanto a Itália como a Bélgica reduziram a desigualdade em 32 pontos.

Portugal não apenas foi o contexto com a maior convergência de estudantes imigrantes e não imigrantes, sejam ou não controlados os efeitos do estatuto social, cultural e económico, e da língua falada em casa, registada entre 2006 e 2015, como essa convergência é notável por ter sido conseguida mediante melhorias de desempenho substantivas por parte de ambos os grupos. Entre os países da OCDE para os quais há dados, Portugal regista as maiores melhorias de desempenho dos estudantes de ambos os grupos (64 nos imigrantes e 25 nos não imigrantes). Estes valores superam claramente os outros países melhor colocados, quer no que diz respeito aos imigrantes (a Itália e a Dinamarca, com melhorias de 31 e 25 pontos, respetivamente), quer no que diz respeito aos não imigrantes (a Noruega e Israel, com melhorias de 14 e 11 pontos, respetivamente). Por contraste, há países onde se registou convergência, mas apenas devido à queda dos resultados dos não imigrantes, e outros onde o fosso até se alargou.

O desempenho escolar encontra-se muito ligado ao estatuto socioeconómico das famílias dos estudantes. Contudo, há técnicas estatísticas que permitem deduzir o efeito desse fator sobre os resultados. No PISA 2015, 27% dos estudantes imigrantes socioeconomicamente mais desfavorecidos (quartil inferior) no contexto português conseguiram obter bons desempenhos (quartil superior), em termos de resultados internacionais (ajustados em função do estatuto socioeconómico) a ciências. Este valor, que o PISA designa por “resiliência”, é ligeiramente superior à média da OCDE (24%). Ou seja, em Portugal a percentagem de estudantes imigrantes desfavorecidos que, uma vez controlada a influência dos fatores socioeconómicos, conseguiu ter bons resultados no PISA 2015 foi ligeiramente superior à média da OCDE. Os países com maior percentagem de estudantes imigrantes “resilientes” no PISA 2015 são a Estónia (46%), o Canadá (42%) e a Irlanda (37%). Por sua vez, os países com menor percentagem de tais estudantes são o México (2%), o Chile (4%) e a Islândia (10%).


Por outro lado, Portugal é um dos países analisados no PISA 2015 com mais baixa concentração escolar dos estudantes imigrantes. Em Portugal bastaria que 6% do total de estudantes mudassem de escola para que todas as escolas tivessem a mesma percentagem de estudantes imigrantes e/ou equilibrassem a importância relativa de estudantes imigrantes no total de estudantes. Este valor, dito índice de concentração atual de imigrantes nas escolas, é ligeiramente mais favorável do que os registados na Itália (6%) e Eslovénia (7%), fica bastante aquém da média da OCDE (13%) e contrasta significativamente com os registados nos países com maior historial de imigração (e.g., 25% no Canadá, 19% nos Estados Unidos da América, 18% na Austrália).

A grande diferença face aos países tradicionais de imigração deve-se, em parte, ao volume total de imigração e à dimensão e capacidade das escolas que aí existem. Atendendo a estas diferenças estruturais, a OCDE considera útil comparar o índice de concentração atual de imigrantes nas escolas com um outro, o índice de concentração potencial máxima de imigrantes nas escolas. Este representa a percentagem de estudantes que teriam de mudar de escola caso os estudantes imigrantes se encontrassem todos nas maiores escolas. Usando o segundo índice como referência, a OCDE observa uma diferença absoluta de 12 pontos percentuais entre as concentrações de estudantes imigrantes atual e potencial máxima em Portugal. Deste modo, assumindo a relação de que o primeiro índice (concentração atual) assume o valor de menos de metade do valor do segundo índice (contração potencial máxima), pode aferir-se que Portugal se encontra numa das situações mais favoráveis no contexto da OCDE de melhor equilíbrio na distribuição dos estudantes imigrantes pelas escolas.
 

Para mais detalhes acerca destes dados consultar a Coleção Imigração em Números deste Observatório, nomeadamente o Boletim Estatístico OM # 3 sobre “Estudantes estrangeiros nos diferentes níveis de ensino” (Gomes e Oliveira, 2017), e o Relatório Estatístico Anual de 2017 (Oliveira e Gomes, 2017), cap. 5. Ainda relativamente a estes dados consultar também, no separador Estatísticas e Sensibilização, os Posters Estatísticos.