3. As mulheres migrantes nas Coleções do OM

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3. As mulheres migrantes nas Coleções do OM

O Observatório tem vindo, desde a sua génese em 2002, a contribuir para aprofundar o conhecimento das mulheres migrantes em Portugal e a integração destas imigrantes, através da publicação de alguns estudos e da sistematização e análise de dados estatísticos e administrativos que aqui se recorda:

 

COLEÇÃO ESTUDOS


Repertórios femininos em construção num contexto migratório pós-colonial: Dinâmicas familiares, de género e geração, Susana Trovão e Sónia Ramalho, Estudos OM 42, agosto de 2010
: Este trabalho, editado em dois volumes na coleção Estudos OM, resulta da articulação de duas pesquisas exploratórias sobre dinâmicas familiares, vulnerabilidade e participação cívica de mulheres de origem cabo-verdiana e são-tomense no contexto pós-colonial português. Nele, as autoras procuram caracterizar continuidades e transformações nas relações familiares destas mulheres, pondo em evidência as suas formas de organização no espaço público, as diferentes modalidades de participação cívica em que se envolvem e as suas motivações e modelos, bem como os benefícios que retiram das suas vidas participativas. Em termos metodológicos, o estudo recorre a uma abordagem mista, fundamentando-se em dados de caracterização quantitativos mas também, e principalmente, em entrevistas semidiretivas e nas narrativas biográficas que daí resultaram. O trabalho contempla ainda um estudo de caso, o da Quinta do Mocho, no concelho de Loures, um contexto onde a imigração feminina oriunda de São Tomé e Príncipe é especialmente relevante. O estudo conclui com algumas recomendações de boas práticas, sugerindo medidas mais eficazes de combate à vulnerabilidade que passam pelo diálogo integrado entre estas mulheres imigrantes, os mediadores que as acompanhem no quotidiano, os analistas e os decisores políticos. Este estudo pode ser encontrado aqui.
 


Fluxos Matrimoniais Transnacionais entre Brasileiras e Portugueses: Género e Imigração, Paulo Raposo e Paula Togni, Estudos OM 38, dezembro de 2009: Este volume da coleção Estudos OM aborda os fluxos matrimoniais transnacionais entre brasileiras e portugueses, procurando explorar novas formas de conjugalidade e papéis de género ligadas ao aumento da imigração brasileira em Portugal e da sua crescente feminização. Para os autores, a ligação entre género (feminino), nacionalidade (brasileira) e conjugalidade justifica-se pela escassez de estudos e bibliografias em Portugal sobre essa temática e pela perceção exponencial deste fenómeno como problemática social, nomeadamente através dos media, das agendas políticas e das medidas públicas. A investigação deu prioridade a uma abordagem qualitativa, concretizada através do recurso à observação participante e às entrevistas semi-estruturadas individuais e em grupo. As conclusões salientam a insipiência estatística dos casamentos ditos fraudulentos (ou por conveniência) e a diversidade de experiências subjetivas de migração. Sublinha-se ainda a heterogeneidade dos sujeitos envolvidos neste mercado matrimonial, a oscilação dos papéis e padrões de género marcados pela diferenciação cultural e pelos habitus, e a multiplicidade de soluções de integração, assimilação, isolamento e diálogo intercultural. Este estudo pode ser encontrado aqui.



Mulheres Imigrantes em Portugal: Memórias, Dificuldades de Integração e Projectos de Vida, Joana Miranda, Estudos OM 35, outubro de 2009: Este trabalho integrado na Coleção Estudos OM teve como objetivo analisar, numa perspetiva de género, três eixos fundamentais que marcam a realidade das mulheres imigrantes em Portugal: memórias e identidades, dificuldades de integração e projetos de vida. Para tal, privilegia uma perspetiva psicológica de análise, em detrimento das perspetivas sociológica e económica mais comuns nesta temática. A autora optou por centrar a sua atenção nas comunidades brasileira, cabo-verdiana e ucraniana por serem as de maior expressão em Portugal e por marcarem períodos distintos dos movimentos migratórios para o nosso país. Nestas populações, realizou ao longo de 2008 entrevistas semidirectivas a vinte e quatro mulheres imigrantes. Quando interrogadas sobre o seu nível de integração na sociedade portuguesa, a grande maioria das mulheres respondeu que se sentia bastante integrada. Para a integração revelaram-se como importantes fatores como a empregabilidade, o domínio da língua, a integração dos filhos na escola, os processos de legalização, a existência de rede de apoio, a aquisição de casa própria e a possibilidade de reagrupamento familiar. Contudo, todas as mulheres entrevistadas revelam também dificuldades neste processo, que são maiores para as ucranianas. O estudo encerra com um algumas recomendações e exemplos de boas práticas, principalmente ao nível dos mecanismos de diagnóstico das dificuldades das mulheres migrantes e dos programas de apoio psicológico para esta população, dos programas de formação/sensibilização para a sociedade civil e os media, e de combate à discriminação. Este estudo pode ser encontrado aqui.



Saúde Sexual e Reprodutiva de Mulheres Imigrantes Africanas e Brasileiras, Sónia Ferreira Dias e Cristianne Famer Rocha, Estudos OM 32, junho de 2009: O aumento significativo do número de mulheres imigrantes em Portugal coloca desafios para a saúde pública associados aos maiores riscos e vulnerabilidades desta população. Para dar resposta a estas preocupações, as autoras desenvolveram um estudo onde procuram descrever os conhecimentos, atitudes e práticas relevantes para a saúde sexual e reprodutiva de mulheres imigrantes, compreender a influência do processo migratório na saúde sexual e reprodutiva e identificar barreiras e elementos facilitadores no acesso e utilização dos serviços de saúde. Em termos metodológicos, o trabalho, de natureza qualitativa, envolveu a realização de grupos focais com 35 mulheres oriundas de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e do Brasil. Os resultados do estudo sugerem que as mulheres imigrantes são um grupo heterogéneo no que respeita aos conhecimentos, atitudes e práticas face à saúde sexual e reprodutiva. Reconhecem-se lacunas importantes no conhecimento de algumas mulheres sobre estas questões, tornando relevante implementar intervenções que permitam desenvolver competências de resolução de problemas, de tomada de decisão e de comunicação interpessoal que reduzam a frequência do envolvimento em comportamentos de risco. A autora salienta a importância de adequar estas intervenções às especificidades de cada grupo, adotando uma abordagem holística da saúde sexual e reprodutiva que contemple as várias dimensões do conceito e o bem-estar das populações. Este estudo pode ser encontrado aqui.


COLEÇÃO TESES


O Corte dos Genitais Femininos em Portugal: O Caso das Guineenses - Um Estudo Exploratório, Carla Martingo, Teses OM 22, agosto de 2009:
O presente trabalho resulta de uma dissertação de Mestrado em Relações Interculturais concluída em 2007 pela autora na Universidade Aberta, sob orientação de Teresa Joaquim. Carla Martingo partiu para este campo de estudo após, em 2002, a comunicação social ter veiculado suspeitas da realização do corte dos genitais femininos nas comunidades guineenses islamizadas residentes em Portugal. Com o objetivo de compreender melhor esta prática e as dinâmicas sociais que lhes estavam associadas, a autora realizou trabalho de investigação que integrou pesquisa bibliográfica, aplicação de inquéritos por questionário e realização de entrevistas junto desta população. Os dados recolhidos sugerem que o corte dos genitais femininos já se realizou em Portugal, mas de uma forma esporádica, e que à altura do trabalho de campo, fruto da legislação vigente, das pressões das autoridades e da exposição pública, se faria ainda embora em casos muito pontuais. A modalidade privilegiada, porém, seria o envio das crianças à Guiné-Bissau com esse objetivo. Propõe ainda que a fraca expressão desta prática em Portugal se deve também a uma conjugação de outros fatores: as características dos fluxos migratórios para o nosso país, que integram guineenses com níveis de escolaridade elevados, provenientes sobretudo de Bissau e com percentagem reduzida de etnias islamizadas, nas quais se observa um predomínio masculino. Este estudo pode ser encontrado aqui.



Imagens de Mulheres Imigrantes na Imprensa Portuguesa: Análise do Ano 2003, Clara Almeida Santos, Teses OM 14, novembro de 2007: Neste trabalho, que materializa uma dissertação de mestrado em Comunicação e Jornalismo defendida na Faculdade Letras da Universidade de Coimbra em dezembro de 2004, Clara Almeida Santos analisou os cruzamentos entre os conceitos de Imigrante e de Mulher na imprensa portuguesa. Neste âmbito, a autora procurou averiguar o teor e a forma das notícias, os temas tratados e o discurso adotado pelos media portugueses nas peças jornalísticas sobre a imigração feminina em Portugal. Um dos objetivos do trabalho foi também discernir as diferenças de abordagem verificadas entre as notícias sobre mulheres imigrantes e sobre homens imigrantes. A autora conclui que as peças sobre mulheres imigrantes, apesar de serem em menor número do que as que dizem respeito a homens imigrantes, surgem já em quantidade bastante expressiva. No entanto, analisando os temas tratados, verifica-se que há uma grande preponderância da temática da prostituição e de situações de marginalidade, contribuindo para a perpetuação de uma imagem estereotipada da mulher imigrante como elemento exótico associado ao desejo sexual. A generalidade dos textos analisados trata a notícia como um mero acontecimento e não como uma problemática, estando ausente um esforço de contextualização e procura das causas mais profundas da matéria jornalística. A autora destaca, como elemento positivo, a existência de um número já considerável de peças que têm como tema a integração. Este estudo pode ser encontrado aqui.



Pertenças Fechadas em Espaços Abertos: Estratégias de (re)Construção Identitária de Mulheres Muçulmanas em Portugal, Maria Abranches, Teses OM 13, novembro de 2007: Com a migração para Portugal, as mulheres muçulmanas de origem guineense e indiana desenvolvem estratégias específicas de negociação entre as referências herdadas e os novos elementos socioculturais encontrados na sociedade de acolhimento, processo que conduz a uma alteração de determinadas práticas culturais ou do seu significado. Este estudo centrou-se numa dupla comparação: uma entre mulheres de origens distintas (guineenses e indianas) e outra entre duas gerações de mulheres. Os resultados evidenciaram diferenças significativas a ambos os níveis. Por um lado, a necessidade de negociação entre a herança cultural e as novas referências do país de acolhimento é, em alguns aspetos, mais visível entre as indianas, dado o maior grau de fechamento relacional que caracteriza este grupo e a combinação mais acentuada de diferentes traços culturais e religiosos de origem, por comparação com as guineenses. Por outro lado, a flexibilização das normas surge muito mais pronunciada entre as jovens, inseridas em redes de sociabilidade mais alargadas na sociedade envolvente. O trabalho de Maria Abranches foi concluído em 2004 no Departamento de Sociologia do ISCTE, no âmbito de um Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação desenvolvido sob orientação de Fernando Luís Machado. Este estudo pode ser encontrado aqui.



Ser Mãe Hindu: Práticas e Rituais Relativos à Maternidade e aos Cuidados à Criança na Cultura Hindu em Contexto de Imigração, Ivete Monteiro, Teses OM 9, novembro de 2007: Este estudo de Ivete Monteiro resulta de uma dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde concluída em 2005 na Universidade Aberta, tendo contado com a orientação de Natália Ramos. Reconhecendo que a maternidade é um dos aspetos mais é afetados pela imigração, a autora realizou o presente estudo partindo de quatro objetivos fundamentais: identificar as conceções sobre a maternidade e cuidados à criança das mulheres da comunidade hindu, analisar quais as práticas e cuidados relativos à maternidade e à criança que são mantidos a partir da cultura de origem, analisar o que foi introduzido nessas práticas da cultura de acolhimento e analisar a forma como as práticas da maternidade são transmitidas entre estas mulheres. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, analítico e transversal, baseado numa metodologia qualitativa com entrevistas semi-estruturadas, observação fílmica e fotográfica, e observação participante. Estes instrumentos de pesquisa foram aplicados a mulheres hindus residentes na área metropolitana de Lisboa. A autora observa que na cultura hindu a maternidade é considerada uma bênção e valorizada pela mulher grávida, pela sua família e por toda a comunidade. Conclui que existem práticas e crenças transmitidas de geração para geração de um modo informal, sobretudo através, da tradição oral e da observação de práticas e comportamentos, que continuam a ser seguidas em contexto de imigração. A influência da cultura de acolhimento faz-se sentir de forma ténue nos cuidados, embora seja mais visível nas mulheres mais jovens que nasceram e cresceram em Portugal e nas jovens que não vivem com familiares mais velhos. Este estudo pode ser encontrado aqui.


RELATÓRIOS ESTATÍSTICOS ANUAIS


Indicadores de Integração de Imigrantes, Catarina Reis Oliveira (coord.) e Natália Gomes, Relatório Estatístico anual 2016, Coleção Imigração em Números do OM, outubro de 2016:
As autoras desagregam neste primeiro Relatório Estatístico Anual a variável sexo para a maioria dos indicadores das fontes de dados estatísticos e administrativos sistematizados e analisados nas várias dimensões de integração consideradas. No primeiro capítulo do livro as autoras aprofundam ainda a composição por sexo dos fluxos de entrada e permanência de estrangeiros, evidenciando a feminização da população imigrante em Portugal observada desde 2012. Esta publicação pode ser encontrada aqui.


POSTERS ESTATÍSTICOS


Posters Estatísticos OM – Mulheres imigrantes
: O poster estatístico produzido pela equipa do OM relativo à Feminização da imigração e aos contributos da mulheres estrangeiras residentes em Portugal para a demografia do país foi lançado no dia 8 de março de 2017 para assinalar o Dia Internacional da Mulher. Aceda aqui a este e a outros posters de sensibilização estatística do OM.
 

Continue a acompanhar estas e outras publicações do Observatório disponíveis para consulta e download gratuito em http://www.om.acm.gov.pt/publicacoes-om.