3. As Religiões nas Coleções do Observatório das Migrações

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3. As Religiões nas Coleções do Observatório das Migrações

O Observatório tem vindo, desde a sua génese em 2002, a contribuir para aprofundar o conhecimento da diversidade religiosa em Portugal através da publicação de alguns estudos que convém aqui recordar:

 


Estudo OM 30 - Migração, Etnicidade e Religião: O Papel das Comunidades Religiosas na Integração dos Imigrantes da Europa de Leste, de Helena Vilaça (2009), disponível aqui: Neste estudo a autora debruça­-se sobre o papel das comunidades religiosas na integração dos imigrantes da Europa de Leste. Mais concretamente, a autora centra a sua análise no papel das igrejas ortodoxas e católicas de rito bizantino a que pertencem a maioria destes imigrantes, procurando perceber se as comunidades religiosas, por força da recriação da cultura de origem, são contextos geradores de fechamento e reforçam o direito à diferença ou se, pelo contrário, as redes de natureza religiosa contribuem para diferentes tipos de integração. Num primeiro capítulo aborda à luz das teorias clássicas e contemporâneas a função da religião enquanto instituição produtora de integração social, cruzando-a com conceitos como solidariedade, rede ou capital social. O segundo e terceiro capítulos do estudo têm essencialmente um carácter de enquadramento, caracterizando o surgimento, desenvolvimento e principais características da igreja ortodoxa em Portugal. No capítulo seguinte são apresentados os resultados de um inquérito aplicado aos imigrantes que participam nas comunidades religiosas, onde se procura analisar a religiosidade privada e pública, o papel da comunidade nas suas vidas e as representações acerca da igreja para compreender como estas contribuem para o estabelecimento de redes e para a resposta a problemas quotidianos. Finalmente, o último capítulo é uma reflexão sobre os resultados obtidos na pesquisa e a sua articulação com os eixos teóricos, terminando com algumas recomendações.

 


Estudo OM 17 - Filhos Diferentes de Deuses Diferentes. Manejos da Religião em Processos de Inserção Social Diferenciada: Uma abordagem estrutural dinâmica, de Susana Pereira Bastos (coord.) e José Gabriel Pereira Bastos (2006), disponível aqui: Este estudo resulta de uma investigação antropológica sobre as relações interétnicas em Portugal. O estudo alicerça-se numa abordagem comparativa, abarcando a mais antiga das minorias étnicas em Portugal (os portugueses ciganos), uma série de minorias étnicas ou etnoreligiosas pós-coloniais (cabo-verdianos, bem como hindus, sunitas e ismaílis) e uma minoria do norte da Índia, recém-chegada e sem contacto anterior com a ecologia cultural portuguesa (sikhs). A pesquisa orientou-se segundo três níveis de análise: o padrão típico das relações de género intra-familiares e, nomeadamente, as atitudes face à sexualidade e à violência; a utilização de recursos religiosos na organização familiar e comunitária; e o padrão prevalecente de relacionamento inter-étnico com os (outros) portugueses, associado ou não à conflituosidade social e à acusação de racismo. A par de um enquadramento histórico sobre a problemática das novas migrações e de um enquadramento teórico sobre processos inter-identitários, o livro inclui, ainda, a análise do espaço de diferenciação inter-étnica na relação destas minorias com os (outros) portugueses, finalizando com oito estudos de caso sobre os padrões de inserção social diferenciada das minorias inseridas no estudo, assinados por dez dos membros da equipa de trabalho.

 


Caderno do Observatório 2 - A liberdade religiosa como estímulo à Migração, de Paulo Reis Mourão (2008), disponível aqui: Neste documento o autor discute o papel da Liberdade Religiosa enquanto fator propiciador de movimentos migratórios, em especial aqueles que têm por destino Portugal. Para tal, recorre a um instrumento por ele elaborado – o Índice de Liberdade Religiosa – cuja metodologia de construção ocupa a primeira parte deste trabalho. Este Índice, sendo aplicado a diversos países, permitiu identificar uma grande variedade de situações em volta do globo, constatando o autor que, em geral, os países europeus e americanos são aqueles que ostentam valores mais elevados, enquanto os países africanos e asiáticos evidenciam valores menos expressivos. Na segunda parte do trabalho, Paulo Reis Mourão pormenoriza a inferência estatística alcançada sobre a relação entre a Liberdade Religiosa e o volume da imigração portuguesa, concluindo que a imigração portuguesa responde positivamente a uma maior Liberdade Religiosa do país de origem. Outros fatores que aumentam o volume da imigração portuguesa são a lusofonia do país de origem, o seu padrão de desenvolvimento sócio-económico e a sua dimensão populacional. Estes resultados permitem catalogar Portugal como um país de valorização sócio-profissional dos imigrantes. Detalhando a amostragem por agrupamentos de imigrantes, verificou-se ainda que o número de pedidos de asilo recebidos no nosso país responde positivamente a um agravamento da situação dos direitos de Liberdade Religiosa nos países de origem.

 


Tese OM 13: Pertenças Fechadas em Espaços Abertos: Estratégias de (re)Construção Identitária de Mulheres Muçulmanas em Portugal, de Maria Abranches (2007), disponível aqui: Este trabalho resulta de uma dissertação de Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação que a autora desenvolveu no ISCTE-IUL sob orientação de Fernando Luís Machado. Nele, Maria Abranches procura alcançar uma maior compreensão sociológica da componente feminina do fenómeno imigratório em Portugal, especificamente no que respeita às migrantes de religião muçulmana oriundas, na sua grande maioria, de territórios que constituíram ex-colónias portuguesas: Guiné-Bissau e Moçambique. Recorrendo a entrevistas abertas, a autora acedeu aos mundos sociais de 26 mulheres muçulmanas de origem guineense e indiana (estas últimas chegadas via Moçambique), jovens e adultas, por vezes mães e filhas, de condições sociais diferentes e até contrastantes. Neste processo, descobriu que, com a migração para Portugal, estas mulheres muçulmanas desenvolveram estratégias específicas de negociação entre as referências herdadas, sobre as quais pesa um forte controlo familiar e social, e novos elementos socioculturais encontrados na sociedade de destino, o que conduziu a uma alteração de determinadas práticas ou significado das mesmas. Este estudo centrou-se numa dupla comparação, entre mulheres de origens distintas e entre duas gerações, tendo demonstrado diferenças significativas a ambos os níveis. Por um lado, a necessidade de negociação é geralmente mais visível entre as indianas, dado o maior grau de fechamento relacional que caracteriza este grupo e a combinação mais acentuada de diferentes traços culturais e religiosos de origem que, entre as guineenses, aciona uma maior atenuação da imposição de regras. Por outro lado, a flexibilização das normas apresenta-se ainda mais visível entre as jovens, inseridas em redes de sociabilidade mais alargadas na sociedade envolvente.

 


Tese OM 9: Ser Mãe Hindu Práticas e Rituais Relativos à Maternidade e aos Cuidados à Criança na Cultura Hindu em Contexto de Imigração, de Ivete Monteiro (2007), disponível aqui: Neste trabalho, Ivete Monteiro explora a maternidade e os cuidados à criança na cultura hindu em contexto de imigração, procurando identificar e caracterizar as práticas mantidas da cultura de origem, aquelas que foram introduzidas a partir da cultura de acolhimento e a forma como a sua transmissão se processa entre estas mulheres. O trabalho resulta de uma Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde que a autora desenvolveu na Universidade Aberta sob a orientação de Natália Ramos. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, analítico e transversal, baseado numa metodologia qualitativa que recorreu à entrevista semi-estruturada, à observação fílmica, à observação fotográfica e à observação participante como instrumentos de colheita de dados. A partir do material recolhido, Ivete Monteiro conclui que, na cultura hindu, a maternidade é considerada uma bênção de Deus e é valorizada pela mulher grávida, pela sua família e por toda a comunidade. Existem práticas e crenças, transmitidas de geração para geração de um modo informal, sobretudo através da tradição oral e através da observação de práticas e comportamentos, que continuam a ser seguidas e respeitadas mesmo quando inseridas num contexto de imigração. A influência da cultura de acolhimento, por outro lado, faz-se sentir de forma ténue nos cuidados maternos, embora seja mais visível nas mulheres mais jovens que nasceram e cresceram em Portugal (segunda geração) e nas jovens que não vivem com familiares mais velhos.

 

Continue a acompanhar estas e outras publicações do Observatório disponíveis para consulta e download gratuito em http://www.om.acm.gov.pt/publicacoes-om.