Escolaridade da população estrangeira

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Escolaridade da população estrangeira

Sabia que há países europeus onde a população estrangeira residente tem mais escolaridade que a autóctone, países onde a situação é exatamente a inversa e, finalmente, países onde se tem verificado uma aproximação entre os níveis de escolaridade dos imigrantes e dos nacionais?

 

Os Indicadores de Integração de Migrantes do EUROSTAT contemplam a área da educação, assumindo-se que as competências educacionais dos imigrantes são determinantes para que possam integrar-se também com sucesso no mercado de trabalho. Quando se analisam os níveis de escolaridade dos diferentes indivíduos, é possível observar diferenças entre cidadãos autóctones e cidadãos estrangeiros residentes na Europa. Em 2016 os países onde os estrangeiros residentes apresentam percentagens mais elevadas de cidadãos com ensino superior são a Irlanda (55,5%), o Luxemburgo (54,3%) e o Reino Unido (53,9%). Por contraste, os países onde os estrangeiros residentes com ensino superior registam as percentagens mais baixas são a Itália (11,4%), a Grécia (11,7%) e a Eslovénia (12,2%). Em Portugal a percentagem de estrangeiros com ensino superior também é pouco significativa (22,5%), ainda que muito equiparada com a percentagem observada juntos dos cidadãos nacionais (27,4%). Portugal é, por isso, o segundo país da UE28 onde a distância entre nacionais e estrangeiros no que toca às qualificações de nível superior é mais baixa (apenas 4,9 pontos percentuais de diferença). Neste indicador a Áustria é o país onde a distância entre nacionais e estrangeiros é menos significativa (1,4 pontos percentuais de diferença entre os dois grupos).

Para o contexto nacional, também os relatórios da Coleção Imigração em Números (Oliveira e Gomes, 2014 e 2016) se debruçam sobre as habilitações dos estrangeiros ativos, comparando-as com as dos nacionais. Os dados mais recentes trabalhados nessa vertente consideram como fonte os Quadros de Pessoal (acerca das ressalvas necessárias inerentes a estes dados vd. Oliveira e Gomes, 2014: 66), dando conta do reforço, na última década, do número de estrangeiros nos níveis de habilitações médio-superiores e da diminuição dos trabalhadores estrangeiros com habilitações inferiores ou iguais ao primeiro ciclo do ensino básico (Oliveira e Gomes, 2016: 92). De 2005 para 2015, os trabalhadores estrangeiros com habilitações até ao nível do 1º ciclo do ensino básico passaram de 34,1% para 16%, ou seja, perderam 18 pontos percentuais da sua importância relativa nos últimos dez anos. Em contrapartida, os trabalhadores estrangeiros com níveis de habilitações médio-superiores (com pelo menos o ensino secundário) passaram de 26,6% em 2005 para 36,6% em 2015, ou seja, ganharam +10 pontos percentuais nos últimos dez anos. Esta tendência verificada nos trabalhadores estrangeiros acompanha também a evolução dos trabalhadores de nacionalidade portuguesa registados nos Quadros de Pessoal: de 2005 para 2015, os trabalhadores portugueses com habilitações inferiores ou iguais ao primeiro ciclo do ensino básico perderam 14 pontos percentuais (passaram de 26,3% para 12,7%), enquanto os trabalhadores portugueses com níveis de habilitações iguais ou superiores ao secundário passaram de 30,8% para 46%, ou seja, ganharam +15 pontos percentuais.

Para mais detalhes acerca destes dados consultar a Coleção Imigração em Números deste Observatório, nomeadamente o Relatório Estatístico Decenal de 2014 (Oliveira e Gomes, 2014), cap.4, pp.63-100, bem como o Relatório Estatístico Anual de 2016 (Oliveira e Gomes, 2016), cap. 5, pp. 87-122. Ainda relativamente a estes dados consultar também, no separador Estatísticas e Sensibilização, os Posters Estatísticos e, na área Compilações Estatísticas do sítio do OM, consultar dados estatísticos acerca do Trabalho.