Cidadãos de Leste sentem-se discriminados nas ruas

Cidadãos de Leste sentem-se discriminados nas ruas

27-09-2004 22:20,  Portugal Diário 

 

Estudo revela que imigrantes se sentem mais discriminados nos locais públicos e na rua do que no trabalho 

Os imigrantes de Leste a viver em Portugal sentem-se actualmente mais discriminados nos locais públicos e na rua do que no trabalho, revela o estudo hoje apresentado "Novas imigrações, novos desafios: a imigração de Leste". 

"Apesar de 70 por cento dos imigrantes de Leste sentir-se discriminado nos locais públicos e na rua, continuam a considerar que Portugal foi a aposta certa como país de destino", afirmou Maria Ioannis Baganha, investigadora do Centro de Estudos Sociais da faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (CES/FEUC).

No âmbito do Congresso Português da Demografia, que arrancou hoje em Lisboa, a docente divulgou dados comparativos entre 2001 e 2004 sobre a integração social e económica dos imigrantes de Leste em Portugal, onde a maioria chegou no início de 2001.

De acordo com o estudo, seis em cada dez imigrantes de Leste (60 por cento) consideram a sua experiência migratória para Portugal "positiva ou muito positiva".

Maria Ioannis Baganha concluiu igualmente que, ao longo de quatro anos, os imigrantes melhoraram as condições de trabalho e de vida através da obtenção de um salário superior pelo facto de terem aprendido a falar português rapidamente.

Enquanto em 2001, 11 por cento auferia salários inferiores a 360 euros, em 2004 apenas quatro por cento recebe esse valor.

As suas competências linguísticas também permitiram aos imigrantes de Leste, que inicialmente trabalhavam na construção civil, começarem agora a iniciar a actividades em outras áreas, como a industria.

Apesar desta evolução positiva, a investigadora realçou que estes cidadãos de Leste estão geralmente inseridos em actividades de trabalho secundário com pouco afinidade à sua experiência profissional e habilitações literárias.

A análise comparativa refere ainda que os imigrantes de Leste procuram actualmente emprego através de familiares em Portugal ou amigos.

De acordo com o estudo, quase metade (49 por cento) dos imigrantes de Leste pretende regressar aos seus países de origem.

Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras referem que no final de 2003 residiam legalmente em Portugal cerca 500 mil imigrantes e a maior comunidade estrangeira era a ucraniana, com mais de 65 mil indivíduos.

 

Notícia publicada no Portugal Diário, http://www.portugaldiario.iol.pt