Coimbra Vai Acolher Primeira Escola Inter-cultural do País

Coimbra Vai Acolher Primeira Escola Inter-cultural do País

Por ANA LUÍSA BARROSO, com LUSA
Terça-feira, 13 de Abril de 2004, Jornal Público  


Uma fábrica de papel e escolas inter-culturais em Coimbra, Luanda e Recife são os projectos que cidadãos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão a dinamizar através da Cooperativa de Ensino e Arte (CEA), uma organização não-governamental sedeada em Coimbra e cujo projecto, lançado em 1998, é precisamente a criação de uma escola inter-cultural afro-luso-brasileira em Coimbra. Neste momento, já se encontram também avançados os projectos para Angola e Brasil. 

A Escola Afro-Luso-Brasileira de Coimbra, que, segundo a vice-presidente da CEA, a angolana Rosa Mayunga, será a primeira instituição inter-cultural de ensino em Portugal, tem um custo estimado de 850 mil euros para reabilitação e construção de edifícios. Para os equipamentos e o pagamento dos primeiros professores, já existe o compromisso de apoio do Instituto António Sérgio, um dos parceiros da cooperativa no projecto, e estão igualmente a ser mobilizados outros meios financeiros.

Destinada a 80 alunos, dos ensinos pré-escolar e básico integrado, este estabelecimento de ensino estará preparado, segundo a dirigente, para, no futuro, acolher igualmente estudantes do ensino superior. A escola deverá nascer num imóvel avaliado em cerca de 350 mil euros situado na periferia da cidade - que terá servido, há séculos, de casa de campo do rei D. Dinis -, cedido à CEA pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) em 2002.

Para além de Coimbra, o projecto da escola inter-cultural estender-se-á a Luanda, em Angola. Ali, está previsto que o estabelecimento de ensino tenha capacidade para quatro centenas de alunos e esteja preparado para acolher estudantes desde o ensino pré-escolar ao superior.

Para aquele país africano está igualmente prevista a construção de uma fábrica de papel, a implantar em parceria com o Instituto de Apoio à Criança (IAC) local, num terreno de quatro hectares cedido pelo próprio IAC. Uma das finalidades desta unidade fabril - que produzirá também embalagens e terá uma forte preocupação ambiental, recorrendo preferencialmente à reciclagem de papel - é arrecadar receitas para projectos de apoio à criança em Angola e nos restantes países da CPLP.

A Coimpak, uma unidade fabril de Coimbra vocacionada para as embalagens e já parceira de actividades da CEA, é uma das empresas envolvidas neste projecto, que ocupará perto de dois mil metros quadrados, estando os restantes dois hectares destinados à construção de uma escola e de uma horta biológica.

Segundo Rosa Mayunga, a fábrica de papel representa um "investimento avultado", estando já uma parte dele assegurado. Recentemente, foi apresentada uma candidatura destes projectos angolanos ao Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento.

Já no Brasil, no Estado do Recife, a escola inter-cultural deverá ser nascer nas instalações da Universidade de Pernambuco, instituição que já demonstrou interesse no projecto. Outras escolas inter-culturais dinamizadas por esta ONG de Coimbra deverão ser criadas em Manaus, Rio de Janeiro e S. Paulo.

 

Notícia do Jornal Público, http://www.publico.pt

Nota:

A notícia "Escola afro-luso-brasileira vai ensinar oitenta jovens" do Jornal de Notícias, sobre o mesmo tema, encontra-se disponível aqui.