Destinos e origens das remessas

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Destinos e origens das remessas

 

Entre as remessas que Portugal recebe da sua diáspora, continuaram a ser os trabalhadores portugueses residentes em França os que se destacaram no envio de remessas para o país, tendo remetido cerca de 1.123 milhões de euros em 2016, verificando-se nos últimos anos um crescimento substantivo das remessas da França para Portugal: +8,7% que o verificado em 2015 (1.033 milhões de euros) e +27,3% que em 2014 (882 milhões de euros). Na lista dos países com mais transferências para Portugal, em 2016, constam ainda a Suíça (697 milhões), o Reino Unido (285 milhões), a Alemanha (254 milhões), os Estados Unidos da América (243 milhões de euros) e Angola (206 milhões, passando da posição de terceiro lugar que ocupava em 2014 para sexto lugar). Face a 2014, nos dois últimos anos verifica-se alguma mudança na ordenação destes países de onde os emigrantes portugueses enviam mais remessas, refletindo a revitalização e mudança mais recente dos destinos de alguns dos fluxos emigratórios de portugueses: a Suíça manteve o segundo lugar nesta lista, embora apresente de 2014 para 2016 uma descida no volume de remessas para Portugal (de 813 milhões em 2014 e 851 em 2015, o país recebeu em 2016 menos 150 milhões de euros); as remessas vindas da Alemanha têm ganho importância nos últimos anos (de 196 milhões de euros em 2014, passaram a chegar deste país 256 milhões em 2015 e 254 milhões em 2016), verificando-se também um crescimento no caso das transferências com origem no Reino Unido (de 202 milhões de euros em 2014, passam para 255 em 2015 e 285 milhões em 2016) e nos Estados Unidos da América (de 210 milhões em 2015 passam para 243 em 2016). Neste grupo de países é Angola que mais perde importância, apresentando diminuições efetivas no volume de remessas para Portugal: de 248 milhões em 2014, passam para 213 milhões em 2015 e 206 milhões em 2016.

Já nos fluxos de saída de remessas de Portugal, destaca-se como principal país de destino das transferências o país de origem da população numericamente mais representada em Portugal: o Brasil mantem a primeira posição como o principal destino das remessas que saem do país, embora se observe nos últimos anos uma diminuição da sua importância relativa (representavam 47,7% do total de remessas de imigrantes residentes em Portugal em 2014, passando para 44,3% em 2015 e 42,9% em 2016) e dos montantes enviados (de 255,3 milhões de euros enviados em 2014, saíram em 2015 cerca de 231,4 milhões e 229 milhões em 2016). O segundo país com maior importância nas remessas dos imigrantes é a China (13,7% das remessas dos imigrantes em Portugal), embora a população chinesa residente corresponda apenas à quinta população numericamente mais representada nos residentes em Portugal (o segundo lugar é ocupado pelos cabo-verdianos), representando somente 5,7% do total de estrangeiros residentes.

Nos últimos anos observa-se algumas mudanças na ordenação dos países de destino dos fluxos de remessas e nos montantes remetidos. Se, por um lado, é notório o crescimento das remessas com destino a países europeus – destaque para a França (+41,2% de remessas de 2015 para 2016), a Alemanha (+24,4%), a Espanha (+20,6%) e o Reino Unido (+9,1%) -, verifica-se, por outro lado, uma diminuição das remessas para países de imigração mais antiga em Portugal – destaque para os PALOP: Cabo Verde (-12,1%) e Angola (-10,2%) – ou para países dos quais diminuiu a população imigrante residente (e.g. Ucrânia com -17,9% de remessas de 2015 para 2016). Vários estudos têm destacado que o acumular de anos de residência influi diretamente na diminuição das remessas enviadas para o país de origem, uma vez que induz a um crescimento de encargos locais (e.g. aquisição de casa, carro, educação de filhos) que, por sua vez, conduz à reorganização das despesas familiares que passam a ser mais canalizadas para o país de acolhimento (Malheiros e Esteves, 2013: 242).



À ordenação dos países, em função do volume de remessas enviadas para os países de origem em milhões de euros, não é alheia ainda a inserção no mercado de trabalho das diferentes populações imigrantes em Portugal e os respetivos rendimentos e remunerações médias. As remessas assumem-se como uma prática habitual dos imigrantes na sua relação com o país de origem, correspondendo a transferências privadas muito dependentes dos ganhos que os imigrantes conseguem obter na sociedade de acolhimento.