Estrangeiros e mortalidade

Imagem em Destaque
Estrangeiros e mortalidade

 

Texto adaptado do subcapítulo 1.6. de Oliveira e Gomes (2016), Relatório Estatístico Anual 2016, Coleção Imigração em Números do Observatório das Migrações.

 

Entre 2011 e 2013 a quase totalidade dos óbitos de residentes em Portugal foram de indivíduos de nacionalidade portuguesa, verificando-se que os óbitos de indivíduos de nacionalidade estrangeira apenas representavam 1,3% no total de óbitos em 2013. A evolução dos óbitos nos últimos três anos revela padrões diferentes na população de nacionalidade portuguesa face à população de nacionalidade estrangeira. Entre 2011 e 2013 verificam-se um aumento de 3,7% de óbitos na população portuguesa. Regista-se a tendência inversa para os indivíduos de nacionalidade estrangeira que entre 2011 e 2013 diminuíram o número de óbitos em 4,1%. Para esta tendência muito contribui a própria diminuição da população estrangeira residente em Portugal nos últimos anos.


 

Os cidadãos oriundos da União Europeia e dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) são aqueles que mais contribuem para o total de óbitos da população estrangeira residente, refletindo que são também as nacionalidades estrangeiras com estruturas etárias mais completas em virtude de serem mais antigas no país e, por isso, com maior expressão de indivíduos com mais de 65 anos. Em 2013 cerca de 34,5% dos óbitos de população com nacionalidade estrangeira residente em Portugal ocorridos foram de nacionais da União Europeia, ainda assim menos 2,5 pontos percentuais do que o verificado em 2011 e com uma taxa de variação de -10,8%. Nesse grupo destacam-se os cidadãos do Reino Unido, Espanha e Alemanha que em 2013 representaram 20,0%, 19,4% e 18,8%, respetivamente do total de óbitos de cidadãos da união europeia. Por sua vez, os nacionais dos PALOP em 2013 representaram igualmente 34,5% do total de óbitos da população estrangeira, embora no seu caso se tenha verificado um aumento dos óbitos em mais 1,8 pontos percentuais (por comparação a 2011) e uma taxa de variação de +1,1%. Nesse grupo destacam-se os nacionais de Cabo Verde que representaram em 2013 mais de metade (53,1%) dos óbitos dos cidadãos dos PALOP residentes em Portugal, seguidos dos angolanos (18,6%) e guineenses (17,3%), o que reflete as populações imigrantes mais antigas no país e, assim, com uma estrutura etária mais completa.

A taxa bruta de mortalidade, apesar de não isolar o efeito das estruturas etárias diferenciadas das populações de nacionalidade portuguesa e estrangeira, permite aferir a existência de diferenças em função da nacionalidade no que toca à mortalidade. Em 2013, a população de nacionalidade estrangeira registou menor taxa de mortalidade (3,3‰) que a população de nacionalidade portuguesa (10,5‰). No entanto, tal como a taxa de natalidade, também a taxa de mortalidade é influenciada pela estrutura etária de uma dada população, ou seja, se a população de nacionalidade portuguesa é mais envelhecida que a população de nacionalidade estrangeira é expectável que apresente taxas de mortalidade superiores.


 

 

 

Para mais detalhes acerca destes dados consultarColeção Imigração em Números deste Observatório, nomeadamente o Relatório Estatístico Decenal de 2014 (Oliveira e Gomes, 2014), cap.1, pp.29-30 e o cap.3, pp.51-62, bem como o Relatório Estatístico Anual de 2016 (Oliveira e Gomes, 2016), cap. 1, pp. 33-46. Também na área Compilações Estatísticas do sítio do OM consultar dados estatísticos acerca dos Indicadores Demográficos.