Feminização da população estrangeira residente…

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Feminização da população estrangeira residente…

 

Na presente década, embora globalmente se verifique uma diminuição da população estrangeira residente no país, evidencia-se um aumento da proporção de mulheres de nacionalidade estrangeira no total de residentes estrangeiros, tendo estas suplantado a partir de 2012 o número de residentes estrangeiros do sexo masculino. Os dados apontam para a feminização da imigração em Portugal, sendo que a distância entre a importância relativa de mulheres e homens estrangeiros tem vindo a aumentar nos últimos anos: em 2010 as mulheres representavam -1,3 pontos percentuais que os homens, passando para +2,5 pontos percentuais em 2013 e +2,9 pontos percentuais em 2015.

 

 

Os dados relativos à população estrangeira residente do sexo feminino por tipo de despacho associado à autorização de residência (AR) concedida em cada ano dão conta do crescente número de mulheres que migram fora dos contextos de reagrupamento familiar, por decisão própria e de forma autónoma. Os dados evidenciam o reforço de outras razões para a permanência das mulheres imigrantes (e.g. AR para atividade subordinada, AR para estudo), por contraposição à diminuição da importância relativa de mulheres estrangeiras com AR para reagrupamento familiar. Entre 2008 e 2014 verificou-se uma diminuição do número de mulheres estrangeiras titulares de AR para o reagrupamento familiar em -83% (quando a diminuição geral no número de mulheres estrangeiras residentes tinha sido apenas de -3%), em contraposição verificam-se aumentos substantivos nas mulheres estrangeiras residentes titulares de AR para investigação e atividades altamente qualificadas (taxa de variação de +817%), AR para trabalho independente (taxa de variação de +349%), AR para estudantes do ensino superior (+37%) e de AR para trabalho subordinado (+1%).

 

 

Considerando as dez nacionalidades numericamente mais expressivas em Portugal no ano de 2015, observa-se que a nacionalidade brasileira é aquela que mostra maior importância relativa do sexo feminino (61,6%). Entre os nacionais de São Tomé e Príncipe, Angola, Cabo Verde e Ucrânia as mulheres assumem igualmente maior importância relativa (as mulheres são-tomenses representam 55,1%, as angolanas 53,5%, as cabo-verdianas 53,4% e as ucranianas 51,3%). Por contraste, nota-se que entre os residentes de nacionalidade romena, guineense, inglesa e chinesa a proporção de homens é superior, respetivamente com 54,8%, 54,1%, 52,5% e 50,8%.