Mulher estrangeira e demografia…

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Mulher estrangeira e demografia…

 

A população estrangeira residente em Portugal é tendencialmente mais jovem que a população de nacionalidade portuguesa. Mantendo a tendência de anos anteriores, a população estrangeira mostra uma grande concentração nas idades jovens e ativas, entre os 20-49 anos (62%), o que não se verifica na população de nacionalidade portuguesa que regista percentagens mais baixas no mesmo intervalo de idades (39%).

 

 

Importa realçar que as mulheres estrangeiras são ligeiramente mais jovens que os homens estrangeiros e bastante mais que as mulheres de nacionalidade portuguesa. Enquanto 63% das mulheres estrangeiras se concentra nas idades jovens e ativas, no caso dos homens estrangeiros essa percentagem desce para os 60%. Esta percentagem declina ainda mais no caso das mulheres de nacionalidade portuguesa, que registam 37% dos seus efetivos no intervalo de idades compreendido entre os 20-49 anos. Nota-se também que apenas 7% das mulheres estrangeiras tem 65 ou mais anos, enquanto os homens estrangeiros atingem os 8% no mesmo intervalo de idades. Os cidadãos de nacionalidade portuguesa evidenciam percentagens muito mais elevadas nos grupos etários mais envelhecidos (24% das mulheres portuguesas e 19% dos homens portugueses têm 65 ou mais anos). Observa-se, pois, que as mulheres estrangeiras residentes apresentam uma maior proporção de efetivos em idade jovem e ativa, contrastando substancialmente com a pirâmide de idades (envelhecida) apresentada pelas cidadãs e cidadãos de nacionalidade portuguesa.

Os estrangeiros têm sido responsáveis não apenas pelo aumento de efetivos em idade jovem e ativa, mas também pelo incremento dos nascimentos em Portugal. Em 2015 as mulheres de nacionalidade estrangeira foram responsáveis por 8,4% do total dos nados-vivos de mães residentes em Portugal. Esta percentagem é particularmente significativa se considerarmos que a população estrangeira apenas representava 3,8% do total da população residente em Portugal em 2015, evidenciando o contributo muito positivo dos imigrantes, e particularmente das mulheres estrangeiras, para a demografia portuguesa.

Acresce que, quando se comparam as taxas brutas de natalidade feminina, conclui-se que as mulheres de nacionalidade estrangeira obtêm taxas superiores às taxas obtidas junto das mulheres portuguesas, confirmando-se a maior fecundidade das estrangeiras por comparação às nacionais e, assim, os seus efeitos positivos para o reforço do grupo etário mais jovem da pirâmide demográfica. Em 2015 por cada 1000 mulheres verificou-se mais do dobro da prevalência de nascimentos nas mulheres estrangeiras (35,8 nascimentos por cada 1000 mulheres) por comparação ao verificado nas mulheres de nacionalidade portuguesa (15,0 nascimentos por cada 1000 mulheres).