Novidades bibliográficas # 19

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Novidades bibliográficas # 19

Livros e monografias



“Migrações e Sustentabilidade Demográfica” (2017)
: Este livro organizado por João Peixoto, Daniela Craveiro, Jorge Malheiros e Isabel Tiago de Oliveira apresenta os resultados do projeto de investigação “Migrações de substituição e sustentabilidade demográfica: perspetivas de evolução da sociedade e economia portuguesas”, que decorreu entre 2015 e 2017 e integrou uma equipa multidisciplinar de investigadores da Universidade de Lisboa (ISEG e IGOT), ISCTE-IUL, Universidade de Aveiro e Instituto Politécnico de Castelo Branco. O projeto, financiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, pretendeu avaliar as tendências de evolução futura da população residente em Portugal, segmentada por regiões, tendo em conta os volumes de migração que serão necessários para assegurar a sua sustentabilidade. Em termos teóricos o estudo, alicerça-se no conceito de “migrações de substituição”, ou seja, o volume de migrantes necessário para compensar o decréscimo do saldo natural da população e evitar a progressão do declínio e envelhecimento populacional. Os autores concluem que a sustentabilidade demográfica, económica e social de Portugal e das suas regiões, considerando um período prospetivo até 2060, requer um input populacional correspondente a um saldo migratório positivo que, mesmo nos cenários mais desfavoráveis se aproxima, dos valores mais altos registados no recente período de atração migratória do país (finais do último decénio do século XX e primeiros anos do século XXI). Mais concretamente, estimam que a manutenção da dimensão total da população residente até 2060 exigirá um saldo migratório global de 2 a 2,3 milhões entre 2015 e 2060. Este estudo pode ser encontrado em acesso livre aqui.



“Re-birth. Desafios demográficos colocados à sociedade portuguesa” (2017): Este estudo de Teresa Rodrigues e Filipa Castro Henriques, promovido no âmbito da Plataforma para o Crescimento Sustentável, enquadra-se no campo da demografia política. Os três grandes objetivos do estudo, segundo as autoras, são: (1) efetuar um diagnóstico das características demográficas estruturantes da atualidade nacional, comparado com o contexto europeu; (2) desenvolver cenários prospetivos alternativos por idade e sexo para 2021, 2031 e 2051, com base em boas práticas reconhecidas, nacional ou internacionalmente; e (3) destacar o potencial da demografia para a formulação de políticas públicas baseadas em conhecimento fundamentado que permitam antecipar desenvolvimentos futuros. O estudo parte da premissa de que muitos países da União Europeia têm conseguido contrabalançar a diferença negativa ou nula entre nascimentos e óbitos com saldos migratórios positivos; embora reconheçam o caso português como preocupante atendendo que o país acumula saldos naturais negativos com saldos migratórios negativos, sendo o envelhecimento demográfico um dos maiores desafios da sociedade portuguesa. Assim, para as autoras, os vetores estratégicos sobre os quais devem incidir reflexões e atuação ao nível das políticas públicas são o envelhecimento das estruturas de idade, a fecundidade e as migrações. Ao nível das migrações é considerado no estudo que devem ser criadas condições para atrair imigrantes e para estancar a saída dos emigrantes, em especial dos mais jovens, em idade de casar e de ter filhos, e os mais qualificados.



“Immigrants and Refugees: Trauma, Perennial Mourning, Prejudice, and Border Psychology” (2017): O psicanalista Vamik Volkan é o autor desta obra que se debruça sobre a psicologia dos imigrantes e refugiados. O livro baseia-se na sua própria experiência como imigrantes cipriota nos EUA, na análise detalhada dos casos de imigrantes que seguiu como psicanalista e nos estudos clínico que realizou de crianças, adultos e famílias imigrantes. Na primeira parte da obra, o autor apresenta estudos de caso como forma de ilustrar o impacto de experiências traumáticas, de explorar questões de identidade grupal e de esclarecer a transmissão de traumas originados na experiência migratória através das gerações. A segunda parte está centrada nos países de acolhimento, analisando a evolução dos preconceitos e a forma como o medo dos recém-chegados pode afetar diversas dimensões humanas, desde a política internacional ao comportamento individual. Para Volkan, os desafios colocados pelo que ele denomina de “psicologia das fronteiras” exigem mais do que uma empatia distante para com as provações materiais dos migrantes e refugiados. Têm também que envolver um estudo aprofundado dos problemas de saúde mental que são provocados pela experiência de desenraizamento que está na origem de muitos movimentos migratórios, principalmente no caso das migrações forçadas. Mais informações podem ser encontradas na respetiva página da editora.



“People's Movements in the 21st Century: Risks, Challenges and Benefits” (2017): Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, nunca houve tanta gente em movimento à escala global devido a conflitos armados como agora. A editora InTech, que publica obras em livre acesso nas áreas das ciências, tecnologias e medicina, reúne no livro “People's Movements in the 21st Century: Risks, Challenges and Benefits” contribuições de diversos autores de renome internacional para responder aos desafios colocados pela mobilidade humana no séc. XXI. O nono capítulo deste livro, intitulado “Acculturation, Adaptation and Loneliness among Brazilian Migrants Living in Portugal” tem coautoria de Joana Neto, Eliany Nazaré Oliveira e Félix Neto, e procura esclarecer a relação entre a solidão dos imigrantes e quatro outros fatores: as estratégias interculturais, a identidade cultural, a discriminação percecionada e a autoestima e perceção dos outros. Este estudo, de cariz empírico, foi realizado com uma amostra de 258 imigrantes brasileiros a viver em Portugal. Todos os capítulos deste livro se encontram em acesso livre aqui.

 


Relatórios



Relatório OCDE: “International Migration Outlook 2017”: a OCDE divulgou a edição de 2017 do relatório International Migration Outlook, onde analisa os últimos desenvolvimentos nas políticas e fluxos migratórios nos países da OCDE e noutros países selecionados durante o ano transato. No primeiro capítulo, caracteriza-se de forma abrangente as mais recentes tendências em termos de fluxos migratórios internacionais e de políticas migratórias. O Capítulo 2, por outro lado, examina de forma mais pormenorizada a situação laboral dos imigrantes e salienta as principais transformações ao nível das políticas conducentes à integração de imigrantes e filhos de imigrantes. O terceiro capítulo desta edição do International Migration Outlook inclui um terceiro capítulo onde trabalha mais especificamente a questão das migrações familiares para países da OCDE, documentando o afluxo de famílias migrantes nos últimos anos, e mostrando que a família é a maior categoria envolvida na mobilidade humana, justificando 40% dos fluxos e entre um quarto e metade do efetivo de imigrantes. O quarto capítulo destaca estatísticas e análises específicas para cada país. No caso português realça-se o trabalho deste Observatório das Migrações, nomeadamente no que respeita à produção dos relatórios estatísticos anuais da sua Coleção Imigração em Números, onde constam indicadores de integração de imigrantes baseados em 25 fontes estatísticas e administrativas. A publicação encerra com um Anexo Estatístico. Este relatório pode ser consultado aqui na sua versão integral.



Relatório: “The Twenty-second Italian Report on Migrations 2016”. A editora McGraw-Hill Education acaba de publicar o relatório elaborado pela Fundação ISMU (Iniziative e Studi sulla Multietnicità) sobre as Migrações em Itália no ano de 2016. Neste relatório, coordenado pelo secretário-geral da Fundação ISMU Vincenzo Cesareo, os autores sublinham que o fenómeno migratório e os complexos desafios inerentes estão a tornar-se uma dura prova não só para as políticas de asilo e imigração da Europa mas também para a existência da própria União Europeia. O livro dá especial atenção à análise e caracterização da população estrangeira em Itália, que no início de 2016 alcançava os 5,9 milhões de indivíduos. Para além das áreas habitualmente exploradas nas edições prévias desta publicação, e que incluem a demografia, a legislação, a componente laboral, a saúde e a integração no sistema de ensino, a 22ª edição do relatório debruça-se ainda sobre outros tópicos que nos últimos anos adquiriram especial relevância, como os menores não acompanhados e o fenómeno do radicalismo islâmico. Este livro encontra-se em acesso livre neste endereço.


 

Dissertações académicas


Dissertação da Mestrado: “Migrantour - Percursos com a | pela Mouraria Multicultural” (2016): Está já disponível online o trabalho que Isabel Maria Araújo Bernardo realizou sob orientação de Alcinda Pinheiro de Sousa e Maria José Pires para a obtenção do grau de Mestre em Turismo e Comunicação na Faculdade de Letras e no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. Nele, a autora apresenta o estágio que realizou na associação Renovar a Mouraria ao serviço do projeto Migrantour – Rotas Urbanas Interculturais. Nos primeiros capítulos, é desenvolvida a história da Mouraria e a sua “vocação” multicultural, bem como o processo de gentrificação que percorre atualmente o bairro. A Associação Renovar a Mouraria e as suas atividades são abordadas no Capítulo 4. Em seguida, o projeto Migratour, com origem em Itália, é analisado nas especificidades criadas através da sua implantação na Mouraria, discriminando-se as tarefas executadas durante o estágio e, mais concretamente, o processo organizativo das visitas guiadas, que são o seu eixo estruturante. Estas iniciativas são enquadradas no conceito de “turismo étnico”, cada vez mais presente nas cidades culturalmente diversas, como Lisboa, em que a presença de pessoas de várias nacionalidades, religiões e culturas se torna um produto de atração turística. Por outro lado, esta tendência é equacionada com questões pertinentes de sustentabilidade, salientando-se a necessidade de promover a etnicidade e multiculturalidade respeitando as diversas culturas e dando apoio às comunidades. Esta dissertação pode ser encontrada aqui.



Dissertação de Mestrado: “A Sustentabilidade Financeira das Entidades da Economia Social: O caso das associações de imigrantes” (2016): A dissertação que Maria Rosa Vaz Moniz elaborou como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Economia Social e Solidária no ISCTE-IUL encontra-se já disponível no repositório online desta instituição. Este trabalho foi realizado sob orientação de Maria de Fátima Palmeiro Baptista Ferreiro e procura identificar as práticas desenvolvidas pelas associações de imigrantes no sentido de assegurar a sua sustentabilidade financeira no contexto da crise económica dos últimos anos. A autora optou por seguir uma metodologia eminentemente qualitativa, alicerçada no estudo de caso, com recurso a instrumentos como a recolha documental e a entrevista semiestruturada. Neste contexto, realizou trabalho de campo em três associações de imigrantes e em cinco entidades com responsabilidades na formação e financiamento das Entidades de Economia Social, entre as quais o Alto Comissariado para as Migrações. A análise dos dados obtidos sugere que a sustentabilidade financeira das entidades é suportada pela sustentabilidade da organização e pela sustentabilidade de projetos numa relação triangulada. As entidades de formação e financiamento valorizam mais a sustentabilidade dos projetos, enquanto as associações colocam mais ênfase nas questões de sustentabilidade organizacional. Esta dissertação pode ser encontrada aqui.



Dissertação da Mestrado: “Mulheres Refugiadas em Portugal” (2016): Com base nas narrativas e experiências de sete mulheres que pediram asilo em Portugal, a autora desta dissertação elaborada para obtenção do grau de Mestre em Antropologia procura discernir de que modo as mulheres refugiadas vivem e se autorrepresentam no contexto da sociedade portuguesa. Este trabalho realizado no ISCTE-IUL por Joana Lucas Coelho sob orientação de Cristina Santinho equaciona a condição de vulnerabilidade desta população em contraponto com a sua capacidade de ação e superação das dificuldades que surgem no país de acolhimento, assumindo a variável de género como elemento estruturador e transversal à pesquisa. Para além de uma reflexão mais alargada sobre as crescentes restrições das políticas migratórias dos países ocidentais, associadas ao reforço de fronteiras, a análise estende-se ao contexto legal e às políticas de asilo em Portugal, bem como aos mecanismos institucionais de acolhimento e proteção dos requerentes de asilo e dos refugiados. A autora conclui que os direitos consagrados na lei não correspondem às reais necessidades destas mulheres e que persistem fortes obstáculos à sua inserção e participação na sociedade portuguesa. Para colmatar estas lacunas, apresenta diversas sugestões de boas práticas que visam a melhoria das condições de vida destas mulheres em Portugal. Esta dissertação pode ser encontrada aqui.



Dissertação de Mestrado: “Deuses em Movimento: O Caso dos Muçulmanos Guineenses em Lisboa” (2016): O repositório digital da Universidade Nova de Lisboa disponibilizou a dissertação que Inês Maria Calvo Brandão defendeu na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas desta instituição para a obtenção do grau de Mestre em Migrações, Inter-Etnicidades e Transnacionalismo. O trabalho, que foi orientado por José Leitão, pretende esclarecer quais os contributos da dimensão religiosa para o processo de integração de imigrantes guineenses em Lisboa. A autora procurou explorar três dimensões distintas nesta problemática, nomeadamente as disposições legais relativas à liberdade religiosa em Portugal, as instituições mais representativas da população muçulmana guineense e o papel que desempenham na integração dos imigrantes, e a discriminação percecionada por esta população nos comportamentos da sociedade maioritária. Os dados obtidos através da consulta documental e de entrevistas semiestruturadas revelam, segundo a autora, que as alterações introduzidas na vivência religiosa pelo próprio processo migratório – ou seja, a reinterpretação da religião e a sua adequação ao meio envolvente em contexto de religião minoritária – são uma das estratégias preponderantes de integração na sociedade. A sociedade de acolhimento é vista como recetiva e acolhedora, embora se continuem a registar situações pontuais de discriminação tendo por base o fator religioso, por vezes potenciadas por questões de discriminação étnica. Esta dissertação pode ser encontrada aqui.