População da União Europeia dos 25 Cresce Sobretudo Graças à Imigração

População da União Europeia dos 25 Cresce Sobretudo Graças à Imigração

Quinta-feira, 02 de Setembro de 2004, Jornal Público 


Ao longo do ano de 2003, o conjunto dos 25 países da União Europeia (UE) viu a sua população aumentar em grande medida porque recebeu um milhão e 700 mil estrangeiros, segundo estimativas do Eurostat e do Conselho da Europa divulgadas esta semana. 

Em Janeiro deste ano, a UE dos 25 chegou aos 456 milhões de habitantes - mais um milhão e 900 mil do que em Janeiro do ano passado. Quer isto dizer que um em cada 14 habitantes do planeta vive na União - bastante menos do que na China, onde residem 20,5 por cento da população mundial, ou da Índia (16,6 por cento).

Se é certo que o número médio de filhos por mulher na Europa aumentou ligeiramente e a taxa de mortalidade continua a diminuir, o chamado saldo natural - que é a diferença entre o número de nados-vivos e o número de óbitos - explica apenas um acréscimo de 200 mil pessoas.

É o saldo migratório (aqui estimado calculando a diferença entre o acréscimo populacional que se verificou entre Janeiro de 2003 e Janeiro de 2004 e o saldo natural) que justifica 90 por cento do aumento dos residentes nos 25 países da UE, no último ano, sendo a Espanha e a Itália os que receberam mais estrangeiros.

O boletim estatístico sublinha, no entanto, que há que ler estes números com cuidado. No caso da Itália, por exemplo, muitos dos estrangeiros contabilizados em 2003 poderiam já estar no país antes, mas só foram regularizados no ano passado.

São ainda destacadas outras tendências sobre a demografia na Europa. Dinamarca, Chipre e Suécia são os únicos países da União onde o número de casamentos aumentou entre 1980 e 2003.

De resto, a tendência é sobejamente conhecida: o número de relações formalmente constituídas continua a diminuir, ainda que ligeiramente, entre 2002 e 2003 - realizaram-se, no total, menos cerca de 30 mil casamentos do que há dois anos.

Já o número médio de crianças vivas que uma mulher em idade fértil pode esperar ter aumentou, bem como os nascimentos fora do casamento - superiores a 40 por cento do total dos bebés nascidos com vida. Em 1980, apenas 8,8 por cento dos nados-vivos nasciam fora de uma relação de casamento; no ano passado, o Eurostat estima que tenham sido 30 por cento. Dinamarca, Letónia e Finlândia são os países que apresentam as maiores taxas. Em Portugal, são 27 por cento.

As estimativas mostram ainda que uma criança do sexo masculino que tiver nascido no ano passado em Portugal pode esperar viver 80.5 anos. É menos do que a esperança média de vida nos 25 países (81.1) ou do que o que se verifica em Espanha (que com 83.7 é o país com maior esperança média de vida), mas mais do que na Hungria (76.6, a pior taxa da UE). A.S.

Notícia publicada no jornal Público, http://publico.pt


Nota: Mais informações sobre este tema disponíveis no estudo "Contributos dos Imigrantes na Demografia Portuguesa: o papel das populações de nacionalidade estrangeira", promovido pelo Observatório da Imigração.