Remessas de imigrantes por residentes estrangeiros

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Remessas de imigrantes por residentes estrangeiros

 

Assumindo-se as remessas como transferências privadas muito dependentes dos ganhos que os imigrantes conseguem obter na sociedade de acolhimento, estas transferências acabam por refletir a situação dos imigrantes no mercado de trabalho e as suas remunerações médias. Neste âmbito a relativização do volume de remessas por total de residentes de cada uma das nacionalidades dos países de destino das remessas permite aferir efetivamente as populações que (per capita) enviam mais remessas para os seus países de origem e, indiretamente, obtêm mais rendimentos em Portugal.


 

Em 2015 e 2016, tal como em anos anteriores, embora seja o Brasil o principal país de destino das remessas dos imigrantes residentes em Portugal, congregando quase metade do montante global de remessas enviadas para o estrangeiro (44,3% e 42,9%, respetivamente em 2015 e 2016), se a análise do volume das remessas for realizada considerando o número de residentes estrangeiros de cada nacionalidade, conclui-se que em 2015 e 2016 são os nacionais dos Estados Unidos da América e da China que mais remessas enviam para o seu país de origem: 3,5 e 3,3 milhões de euros por cada 1000 cidadãos norte-americanos e chineses residentes em Portugal em 2015, respetivamente, e 3,7 e 3,2 milhões de euros por cada 1000 cidadãos norte-americanos e chineses residentes em Portugal em 2016, respetivamente. A estas duas nacionalidades seguem-se então os brasileiros com 2,8 milhões de euros por 1000 residentes brasileiros em Portugal em 2015 e 2016.

Em contraste, os imigrantes que menos remessas enviaram para os seus países de origem por total de residentes no país em 2015 e 2016 foram os nacionais da Guiné-Bissau (0,2 milhões de euros por cada 1000 cidadãos guineenses residentes), do Reino Unido (0,3 milhões de euros por cada 1000 cidadãos ingleses residentes), da Ucrânia (0,4 milhões de euros por cada 1000 cidadãos ucranianos residentes) e de Cabo Verde (0,4 milhões de euros por cada 1000 cidadãos cabo-verdianos residentes), refletindo tanto comunidades imigrantes mais antigas no país, como algumas das populações estrangeiras mais afetadas pelo desemprego nos últimos anos em Portugal e pela diminuição de ganhos no país.