Saldo das remessas de emigrantes e imigrantes

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Saldo das remessas de emigrantes e imigrantes


As transferências regulares de salários e de outras remunerações provenientes do trabalho efetuadas por migrantes para familiares, contabilizadas nas Estatísticas da Balança de Pagamentos, contemplam os fluxos de remessas de imigrantes residentes em Portugal para os seus países de origem e os fluxos de remessas de emigrantes portugueses para Portugal em milhões de euros. A análise dos dados destas transações económicas de Portugal com o resto do mundo, dos últimos vinte anos (entre 1996 e 2016), permite retratar sempre saldos muito positivos da relação das remessas que entram e das remessas que saem do país: Portugal continua, pois, a ser um país com uma diáspora emigrante importante e ativa no envio de remessas, suplantando muito as remessas que entram no país (dos emigrantes portugueses) face às remessas que saem do país (dos imigrantes residentes em Portugal), representando em 2016 uma diferença de +2.809,3 milhões de euros.



Estes dados permitem, assim, retratar a evolução da imigração e da emigração. Em anos de aumento da imigração verifica-se em Portugal um crescimento das remessas que saem do país associadas aos imigrantes residentes (particularmente evidente nos anos da transição para o século XXI: de 2000 para 2001 verifica-se um aumento de 189 milhões de euros para 410,1 milhões de euros, associado à evolução da população estrangeira residente que nesses anos passam de 207,5 mil para 350,9 mil pessoas) e, em contrapartida, em anos de aumento da emigração verifica-se um crescimento das remessas que entram no país e o aumento do saldo das remessas para o país – há mais transferências para o país que a partir do país (especialmente evidente a partir de 2011 com o aumento da emigração e regresso do país a saldos migratórios negativos).

As remessas dos imigrantes residentes em Portugal para os seus países de origem tiveram uma evolução muito positiva desde a viragem do século, tendo atingido o seu pico em 2006, ano que totalizaram 609,8 milhões de euros. Desde então as remessas dos imigrantes tenderam a descer, apresentando sinais de recuperação de 2015 para 2016, de 522,6 milhões de euros para 533,9 milhões de euros, respetivamente. A mudança da trajetória de crescimento das remessas dos imigrantes de Portugal para os seus países de origem (em especial a partir de 2007, ano em que desce para 570 milhões de euros, cerca de menos 40 milhões que no ano anterior) reflete tanto o aumento do desemprego sentido nesse período (e, inerentemente, a diminuição dos rendimentos das populações imigrantes residentes no país), como a diminuição da população estrangeira residente no país, o que fez diminuir os montantes das transações económicas de saída de Portugal. De 1996 para 2006 verifica-se um aumento em +291,2% nas remessas saídas de Portugal, enquanto de 2006 para 2016 verifica-se uma diminuição em -12,4% das remessas dos imigrantes.