O tema das migrações e saúde nas coleções do OM

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O tema das migrações e saúde nas coleções do OM

O Observatório tem vindo, desde a sua génese em 2002, a contribuir para aprofundar o conhecimento sobre as migrações e saúde, através da publicação de estudos e da sistematização e análise de dados estatísticos e administrativos que aqui se destaca:

Coleção Imigração em Números


CADERNO ESTATÍSTICO OM 2: Migrações e saúde em números: o contexto português, de Catarina Reis de Oliveira (coord.) e Natália Gomes, setembro de 2018: Os fluxos migratórios são normalmente identificados como um desafio de saúde pública, assumindo-se a importância (e a necessidade) de compreender os impactos das migrações na saúde, tanto na perspetiva dos sistemas de saúde dos países de acolhimento de imigrantes, como na perspetiva das populações imigrantes e não imigrantes residentes nesses contextos. O melhor conhecimento da saúde dos imigrantes e do seu acesso e utilização do sistema de saúde é essencial para as políticas de integração e de saúde de um país, sendo porém desafiado pela falta de dados disponíveis na maioria dos países europeus. Apesar do crescente reconhecimento da importância deste tema – patente tanto em recomendações e avaliações de organizações internacionais; no desenvolvimento de políticas e programas de intervenção para a saúde das populações migrantes; e no aumento da investigação e estudo neste domínio – persistem lacunas no conhecimento da relação entre migrações e saúde, e dos reais impactos das migrações na saúde. Neste segundo Caderno Estatístico, da Coleção Imigração em Números do Observatório das Migrações, as autoras procuram responder exatamente a estas lacunas, sistematizando e analisando informação estatística de várias fontes (nacionais e internacionais), para o período de referência de 2005 a 2016, que permitem retratar, de forma comparada os imigrantes e os nativos, quanto ao estado de saúde – a partir da autoapreciação do estado de saúde e da qualidade de vida, do reporte de incapacidades temporárias por problemas de saúde, e de doenças crónicas -, à acessibilidade e utilização dos serviços de saúde – confrontando as estatísticas da utilização de serviços de saúde, com o enquadramento legal e institucional do acesso à saúde e as barreiras de acesso e efeitos desmobilizadores do uso dos serviços de saúde -, e à mortalidade e causas de morte. A análise dos dados disponíveis induz à identificação de algumas iniquidades em saúde na comparação dos imigrantes com os não imigrantes em Portugal, sendo essas desigualdades enquadradas pelos determinantes da saúde, na sua dimensão estrutural, social e grupal, e individual. Assumindo que a relação entre migrações e saúde tem sido estabelecida de forma parcelar, as autoras caracterizam ainda para a última década a evolução desta relação atendendo a três universos que integram o mesmo fenómeno: (1) o universo de fluxos de entrada e de saída por razão de saúde, atendendo à articulação e cooperação internacional portuguesa na vertente da saúde; (2) o universo de imigrantes residentes que, em virtude da sua permanência e integração no país, necessitam de proteção de saúde; e (3) o universo de profissionais de saúde estrangeiros que integram o sistema de saúde português. Este Caderno traz, assim, numa terceira vertente, a análise de dados que sustentam também a leitura dos contributos dos imigrantes para o sistema de saúde português. Relatório disponível aqui. Conheça aqui também a Infografia OM (2019) com os principais resultados deste relatório.


“Migrações e saúde”, in Indicadores de integração de imigrantes: relatório estatístico anual 2018, de Catarina Reis Oliveira (coord.) e Natália Gomes, Coleção Imigração em Números do OM, pp. 303-346, dezembro de 2018: Os dados dos Inquéritos Nacionais de Saúde acerca da utilização dos serviços de saúde revelam que globalmente os imigrantes tendem a procurar menos os serviços de saúde que os portugueses não-imigrantes, a consultar menos um médico nos últimos meses e a passar mais tempo desde a última consulta médica de especialidade que tiveram, embora deva reconhecer-se que os indicadores em torno da utilização dos cuidados de saúde nem sempre refletem, de forma direta e proporcional, as reais necessidades efetivas e efetivadas de cuidados de saúde (tanto podem refletir melhor estado de saúde dos imigrantes que dispensa os cuidados de saúde; como pode ainda refletir dificuldades ou barreiras no acesso aos cuidados de saúde que os tornam sub-representados no universo de utilizadores dos serviços de saúde). Deve ainda atender-se que as circunstâncias sociais e económicas de alguns grupos imigrantes (e.g. mais baixos rendimentos, piores condições de trabalho, e com maior exposição ou risco de exclusão social) afetam diretamente o uso dos serviços de saúde das sociedades onde residem, não se devendo descurar a interferência destes determinantes sociais na utilização dos serviços de saúde e/ou de enviesamento na procura dos serviços de saúde, que nada tem a ver com melhores estados de saúde. No que toca aos determinantes da saúde, conclui-se que, de uma forma geral, os imigrantes revelam indicadores do estado de saúde mais favoráveis do que os naturais portugueses: apresentam uma maior prevalência de respondentes a classificar o seu estado de saúde como bom ou muito bom; têm uma menor prevalência de ausências ao trabalho por problemas de saúde e menor proporção de benefícios de proteção social por razões de doença; e, globalmente, uma menor prevalência de doenças crónicas e de limitações nas atividades diárias devido a problemas de saúde. Em detalhe, no que toca à autoapreciação do estado de saúde, verifica-se que na maioria dos países da Europa do Sul (sendo a imigração mais recente e em média mais jovem que a restante população) os imigrantes tendem a autopercecionar-se como mais saudáveis que os seus homólogos nativos, o que também sucede em Portugal, onde 60% dos imigrantes reportaram um bom estado de saúde (contra apenas 47% dos nativos), em 2016. Confirma-se que a estrutura etária das populações residentes nos vários países infere diretamente na autoapreciação do estado de saúde dos indivíduos. Contudo, no que toca aos fatores de risco para a saúde, a população de naturalidade estrangeira apresenta resultados mais desfavoráveis que a população de naturalidade portuguesa: apresenta maior prevalência de tabagismo, alcoolismo e pior alimentação. Por sua vez nos fatores protetores de saúde são os imigrantes que apresentam resultados mais favoráveis por comparação aos naturais portugueses, praticando mais exercício físico e mais deslocações a pé numa semana normal. Relatório disponível aqui.


“Cuidados e determinantes da saúde”, in Indicadores de integração de imigrantes: relatório estatístico anual 2017, de Catarina Reis Oliveira (coord.) e Natália Gomes, Coleção Imigração em Números, pp. 263-268, dezembro de 2017: No âmbito dos cuidados e determinantes da saúde dos estrangeiros residentes em Portugal, as autoras analisam alguns dos dados do Inquérito Nacional de Saúde de 2014 promovido pelo INE. A percentagem de respondentes de nacionalidade portuguesa que declarou ter ido ao hospital no último ano por total de residentes de nacionalidade portuguesa com mais de 15 anos no país foi superior (41,1%) à verificada nos cidadãos estrangeiros (18,8% no caso dos estrangeiros residentes da União Europeia e 20% no caso dos cidadãos estrangeiros de países extracomunitários). Como é alertado no estudo da OCDE (2015), as circunstâncias sociais e económicas de alguns grupos imigrantes (com níveis mais baixos de habilitações, mais baixos rendimentos, piores condições de trabalho, e com maior exposição ou risco de exclusão social) afetam diretamente o uso dos serviços de saúde das sociedades onde residem. Em termos da importância relativa que assumem os indivíduos que consultaram um médico de medicina geral e familiar no total de residentes com mais de 15 anos, nota-se que os cidadãos de nacionalidade portuguesa assumem percentagens mais elevadas (76,9%) que os cidadãos de nacionalidade estrangeira (apenas 30,1% dos nacionais de países da União Europeia, e 31,3% dos nacionais de países terceiros, recorreram a este tipo de consulta). Relatório disponível aqui.

 

Coleção Estudos

ESTUDO OM 62: Atitudes e representações face à doença e acesso aos cuidados de saúde nas populações imigrantes, de Sónia Dias (coord.) et al., abril de 2018: Numa perspetiva de saúde pública, o maior impacto dos fluxos migratórios coloca-se ao nível da saúde das populações e da pressão exercida por este fenómeno nas dinâmicas dos serviços de saúde. Neste contexto, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical/Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT) e outras instituições académicas desenvolveram um projeto com o objetivo de explorar as atitudes e representações face à saúde, doença, acesso e utilização dos serviços de saúde pelos imigrantes, tanto na perspetiva destas comunidades como dos profissionais que exercem funções nos centros de saúde. Para a concretização dos objetivos desenvolveram-se dois estudos quantitativos através da aplicação de um inquérito por questionário a imigrantes residentes em Portugal (provenientes de países africanos de língua oficial portuguesa, do Brasil e de países da Europa de Leste) e a profissionais (médicos, enfermeiros e administrativos) dos serviços de cuidados de saúde primários da região de Lisboa e Vale do Tejo. No âmbito deste projeto foi ainda desenvolvido um estudo qualitativo através da realização de grupos focais com elementos das comunidades imigrantes e profissionais de saúde. Este estudo do OM pode ser encontrado aqui.


ESTUDO OM 40: Saúde e Imigração: utentes e serviços na área de influência do Centro de Saúde da Graça, de Maria Lucinda Fonseca e Sandra Silva, fevereiro de 2010:
Em Portugal, à semelhança de outros países, a relação entre saúde e imigração tem adquirido importância crescente e os estudos nesta área têm-se mostrado fundamentais para conhecer uma realidade cada vez mais importante para a coesão das sociedades multiculturais. Nesta conformidade, o objetivo geral deste estudo foi contribuir para um melhor conhecimento das práticas e do estado de saúde dos imigrantes em Portugal, bem como das condições de acesso e da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde às novas procuras associadas ao aumento do número de imigrantes e à diversidade étnica e cultural da população residente no País. A problemática em análise foi abordada segundo duas perspetivas: i) das populações imigrantes – no que se refere aos comportamentos, condicionantes e perceções destas relativas ao acesso aos cuidados e serviços de saúde; ii) da oferta de respostas dadas pelas instituições/entidades envolvidas, direta ou indiretamente, nos cuidados de saúde prestados a estas populações. A investigação baseou-se num caso de estudo na cidade de Lisboa e desenvolveu-se em três fases: i) enquadramento da temática, do contexto territorial e respetiva população; ii) diagnóstico do acesso das populações imigrantes aos cuidados e serviços de saúde e das respostas institucionais existentes; iii) discussão dos resultados e recomendações. Este estudo do OM pode ser encontrado aqui.
 


ESTUDO OM 33: Migrantes e saúde mental. A construção da competência cultural de Chiara Pussetti (coord.) et al., outubro de 2009:
Este estudo teve como propósito conhecer – através de entrevistas aprofundadas com técnicos de saúde mental e pacientes imigrantes – a forma como os serviços institucionalizados de saúde mental em Portugal dão resposta ao sofrimento e às necessidades da população a que se destinam. Através de encontros com técnicos de saúde e pacientes e da observação de diversas consultas, tentou averiguar-se o funcionamento dos serviços de saúde mental “culturalmente competentes”, bem como a perceção e a interpretação do fenómeno por parte dos diferentes atores sociais envolvidos. Este estudo do OM pode ser encontrado aqui.

 

ESTUDO OM 32: Saúde sexual e reprodutiva de mulheres migrantes africanas e brasileiras, de Sónia Ferreira Dias e Cristianne Famer Rocha, junho de 2009: O estudo teve como objetivos descrever os conhecimentos, atitudes e práticas relevantes para a saúde sexual e reprodutiva de mulheres imigrantes, compreender a influência do processo migratório na saúde sexual e reprodutiva e identificar barreiras e elementos facilitadores no acesso e utilização dos serviços de saúde. Para a concretização destes objetivos desenvolveu-se um estudo qualitativo através da realização de grupos focais com 35 mulheres oriundas de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e do Brasil. Os resultados do estudo sugerem que as mulheres imigrantes são um grupo heterogéneo no que respeita aos conhecimentos, atitudes e práticas face à saúde sexual e reprodutiva. Este estudo vem realçar a importância de desenvolver intervenções adequadas às especificidades de cada grupo, adotando uma abordagem holística da saúde sexual e reprodutiva que contemple as várias dimensões do conceito e o bem-estar das populações. As autoras sugerem que esta estratégia poderá conduzir a intervenções mais congruentes com desejos, valores e necessidades, criando maior aceitação por parte das populações imigrantes e, consequentemente, aumentando a eficácia das ações implementadas. Este estudo do OM pode ser encontrado aqui.

 

Coleção Teses


TESE OM 48: Refugiados e requerentes de asilo em Portugal: contornos políticos no campo da saúde de Maria Cristina Santinho, dezembro de 2016:
Esta tese de doutoramento foca-se na temática dos refugiados e requerentes de asilo em Portugal, tomando como ponto de partida as condicionantes políticas que regulam o seu acolhimento, permanência e mobilidade, na perspetiva específica da saúde. A partir de um trabalho de campo realizado em continuidade – tanto no Centro de Acolhimento de Refugiados (estrutura integrante do Centro Português para os Refugiados), como já fora dele, acompanhando os percursos de vida dos requerentes de asilo – a autora pretendeu demonstrar quais as principais contradições entre a Lei de Asilo e a realidade vivida por pessoas em sofrimento. O estudo conclui que, apesar do seu número irrisório, comparativamente à maioria dos países do Espaço Schengen, mas também em relação à população imigrante e à população portuguesa, os refugiados e requerentes de asilo estão longe de poder usufruir plenamente de um acesso à saúde física e mental adequada às necessidades específicas de pessoas eventualmente traumatizadas por situações de guerra, conflito e demais atentados aos direitos humanos. A invisibilidade no contexto da sociedade portuguesa, e por vezes o deficiente apoio das instituições que assumem a responsabilidade da sua integração, aliados a serviços de saúde também inadequados para as suas particularidades, remetem-nos para uma sequência de sofrimento que contribui para uma maior dificuldade de integração. Tese disponível aqui.

 


TESE OM 47: Cuidados de saúde materno-infantis a imigrantes da região do Grande Porto: percursos, discursos e práticas, de Joana Topa, dezembro de 2016:
Analisar e caracterizar os cuidados materno-infantis prestados à população imigrante residente em Portugal foram os objetivos delineados nesta tese de doutoramento, que se propôs escrutinar a qualidade e a eficácia dos cuidados materno-infantis prestados no país pelo Serviço Nacional de Saúde a mulheres imigrantes de nacionalidade brasileira, cabo-verdiana e ucraniana, tomando como referência os seus discursos, bem como os discursos de profissionais de saúde. Situada em pressupostos teóricos e epistemológicos críticos oferecidos pelo construcionismo social, a presente investigação, de natureza qualitativa, compreendeu a realização de dois estudos empíricos. O estudo 1, pretendeu caracterizar os discursos, perceções e vivências de trinta mulheres de nacionalidade cabo-verdiana, brasileira e ucraniana nos cuidados de saúde materno-infantis em Portugal. O estudo 2, pretendeu contribuir para um melhor conhecimento sobre o acesso e capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde e suas/seus profissionais à procura de cuidados por mulheres imigrantes grávidas residentes em Portugal bem como pretendeu caracterizar os discursos de catorze profissionais de saúde sobre os cuidados específicos preconizados às mulheres imigrantes durante o período de gravidez, parto e puerpério. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 32: Argumentos para uma viagem sem regresso. A imigração PALOP por via da saúde: estudo de caso, de Maria Adelina Henriques, novembro de 2010:
Esta dissertação de mestrado pretendeu chamar a atenção para a existência de um fluxo migratório muito específico: a imigração oriunda dos PALOP por via da saúde. Chegam a Portugal diariamente doentes evacuados ao abrigo dos Acordos de Cooperação no domínio da saúde, que acabam por não voltar mais ao país de origem. Estes migrantes são muitas vezes esquecidos e não têm sido objeto de investigação aprofundada. O trabalho pretende alertar também para o facto dos Acordos de Saúde celebrados entre Portugal e os PALOP estarem frequentemente desadequados da realidade atual, para além de não serem muitas vezes cumpridos pelas partes. Por exemplo, em muitos casos as embaixadas dos países de origem não apoiam os doentes em Portugal, quer em termos de alimentação, quer de alojamento ou medicamentos. As deficientes triagens no país de origem parecem conduzir a processos de seleção de doentes pouco claros e ineficazes. Vir para Portugal para tratamento médico obriga por vezes a verdadeiras batalhas: com a Embaixada, com as Finanças, com o Ministério da Saúde. A posse de capitais social e económico revela-se um elemento chave no desencadear e no desenrolar de todo o processo. Apesar das grandes dificuldades com que estes doentes e familiares (sobre)vivem em Portugal, muitos não querem regressar ao país de origem. A dificuldade em obter tratamento médico e medicamentos são as razões mais apontadas para não regressar. Em Portugal, porém, a vida não é fácil. O suporte económico, psicológico e cultural da maioria dos doentes assenta nas redes familiares e de amigos. A solidariedade e ajuda mútua entre os africanos é muito forte. Alguns dos que não têm família nem amigos em Portugal vivem da caridade dos seus compatriotas. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 31: Saúde mental, qualidade de vida e acesso aos cuidados de saúde na comunidade brasileira de Lisboa, de Vanessa Cervinho Viana, outubro de 2010: Estudo exploratório, descritivo e transversal (nas palavras da autora), pretendeu identificar o estado de saúde, saúde mental e qualidade de vida da comunidade brasileira residente em Lisboa e o seu acesso aos serviços de saúde. Os principais objetivos foram a caracterização sociodemográfica, a identificação de variáveis inerentes ao processo migratório, a identificação da autoapreciação do estado de saúde, a caracterização do acesso aos cuidados de saúde, a identificação do grupo em provável sofrimento psicológico, a comparação entre os resultados dos imigrantes juridicamente regulares e irregulares e a comparação entre a população imigrante e a população portuguesa. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 24: Saúde e imigrantes: as representações e as práticas sobre a saúde e a doença na comunidade Caboverdiana em Lisboa, de Bárbara Backström, setembro de 2009: Esta tese de doutoramento teve como principal objetivo compreender - através de relatos pessoais - a forma como os indivíduos entendem a saúde e a doença no campo das representações sociais de saúde e analisar os seus comportamentos em termos das suas práticas de saúde e de doença. Pretendeu-se estabelecer uma análise comparativa dos dados de forma a fazer sobressair semelhanças e/ou divergências das representações e das práticas de saúde e de doença dos entrevistados. O estudo foi efetuado junto de uma amostra de 40 indivíduos cabo-verdianos da “primeira geração” em Portugal, mais precisamente os que residem na região de Lisboa, a qual para efeitos de análise foi dividida em diferentes grupos: grupo social (grupo popular e grupo de elite), geração (mais jovens e mais velhos) e género (homens e mulheres), (20 pessoas em cada grupo). A análise dos resultados comprova a existência de diferenças entre os grupos sociais relativamente às representações e práticas de saúde e de doença. Elas foram determinadas mais pelos fatores socioeconómicos do que pelos aspetos culturais e de etnicidade. Essas diferenças fizeram também sobressair dois tipos de visão: uma cosmopolita e outra existencial. Na primeira estamos perante uma visão mais articulada ao mundo e que se relaciona com as ideias expressas pelo grupo de elite e na segunda uma visão existencial, mais ligada às condições materiais de existência e que corresponde às representações feitas pelo grupo popular. Foi demonstrado que os indivíduos mais velhos do grupo popular encaravam a saúde e a doença de forma semelhante ao “modelo biomédico”, enquanto os do grupo de elite iam mais ao encontro do “modelo biopsicossocial”. As representações de saúde e de doença traduziram-se em definições que foram desde o orgânico ao social. O primeiro correspondia ao discurso do grupo popular que restringia mais a saúde a aspetos fisiológicos e o segundo ao do grupo de elite, que encarava a saúde e a doença enquanto fenómenos mais globais e externos aos indivíduos. Também se evidenciou, quando da análise dos dados, ao nível dos subgrupos de género e geração no seio do mesmo grupo social, que as diferenças eram menos evidentes entre eles do que as que encontradas quando comparados os subgrupos separadamente por grupos sociais distintos. Quanto ao grupo estudado, apesar da heterogeneidade verificada entre os seus membros, particularmente no que se refere aos fatores socioeconómicos, observou-se que existia um aspeto unificador decorrente das suas heranças culturais. Em geral, os indivíduos sobrevalorizaram a sua identidade étnica e a cultura de origem comum. A pertença a grupos sociais diferentes, mas a uma mesma cultura e identidade, dá origem a uma partilha do sentimento de pertença cultural, mas não a comportamentos e práticas idênticas. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 22: O Corte dos genitais femininos em Portugal: o caso das guineenses, de Carla Martingo, agosto de 2009: Esta dissertação de mestrado incidiu sobre a prática do corte dos genitais femininos nas comunidades islamizadas residentes em Portugal. Após realizado trabalho de investigação, que integrou pesquisa bibliográfica, aplicação de inquéritos por questionário e realização de entrevistas, a autora sugere que o corte dos genitais femininos já se realizou em Portugal, mas de uma forma esporádica, e que atualmente, fruto da legislação vigente, pressões das autoridades e exposição pública, poder-se-á fazer, em casos muito pontuais, mas a modalidade privilegiada será o envio das crianças à Guiné-Bissau com esse objetivo. Refere, ainda, que a fraca expressão desta prática em Portugal se deve a uma conjugação de fatores: as características dos fluxos migratórios para Portugal, que integram guineenses com níveis de escolaridade elevados, provenientes sobretudo de Bissau e com percentagem reduzida de etnias islamizadas, nas quais se observa um predomínio masculino. Tese disponível aqui.


TESE OM 21: Geografia da saúde da população imigrante na Área Metropolitana de Lisboa, de Inês Martins Andrade, dezembro de 2008: O objetivo central que sustentou este estudo consistiu no aprofundar do conhecimento relativamente superficial sobre a Geografia da Saúde da População Imigrante, isto é, sobre o acesso e a utilização aos cuidados de saúde e sobre o estado da saúde de um grupo populacional, que embora estatisticamente relevante, não tem despertado o interesse de investigações no setor da saúde. Tendo como objetivos centrais o conhecimento da tipologia de acesso e utilização aos cuidados de saúde, a respetiva identificação das principais condicionantes e do estado de saúde dos imigrantes africanos, o presente trabalho divide-se em três grandes momentos. A primeira parte tem como finalidade fazer uma apresentação global da Geografia da Saúde e uma reflexão em torno dos principais conceitos para a compreensão deste tema. Na segunda parte apresenta-se o Sistema Nacional de Saúde, o debate e o quadro legislativo que regula o acesso e a utilização dos imigrantes aos cuidados de saúde e uma reflexão sobre a concentração dos imigrantes em cidades, em particular, no caso da Área Metropolitana de Lisboa (AML). A terceira parte consiste no desenvolvimento da parte prática que se centrou na AML a partir de cinco casos de estudo, a Quinta da Serra, Santa Filomena, Alta de Lisboa, Bairro Amarelo e Quinta da Princesa. O seu estudo visa a compreensão do tipo de acesso e utilização que os imigrantes fazem dos cuidados de saúde, das barreiras que se colocam ao seu acesso e utilização, do seu estado de saúde, nas principais determinantes de saúde e na satisfação desta população com a prestação destes cuidados de saúde no âmbito do Serviço Nacional de Saúde. A integração dos imigrantes na sociedade de acolhimento é uma necessidade cuja omissão tem custos muito elevados. Atendendo a que a integração dos imigrantes passa necessariamente pela saúde, e que estes são hoje elementos centrais num urbanismo multi-étnico, a sustentabilidade das cidades e das grandes metrópoles implica necessariamente a promoção de sistemas de saúde mais equitativos. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 11: Gravidez e seropositividade em mulheres imigrantes na região de Lisboa, de Lídia Correia Lopes, novembro de 2007: Esta dissertação de mestrado teve como principais objetivos compreender as preocupações, dúvidas e dificuldades vividas por um grupo de grávidas seropositivas imigrantes (28 grávidas imigrantes), utentes da Consulta de Obstetrícia de um Hospital da Região de Lisboa, conhecer a sua opinião relativa ao tipo de apoio dado pelos profissionais de saúde durante a atual gravidez e o desejo de outros tipos de apoio. Para o estudo, exploratório e descritivo, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas. Numa primeira fase, foram trabalhados os dados quantificáveis referentes às características socioculturais e demográficas e ao percurso migratório; numa segunda fase, as respostas foram analisadas através de análise de conteúdo e apresentadas por áreas temáticas e respetivas categorias e subcategorias. As principais conclusões do estudo revelam que: a gravidez não desejada é significativa; apenas uma mulher planeou a gravidez após saber da sua seropositividade; existe um deficiente conhecimento sobre os efeitos do VIH; as grávidas sentem-se tristes e ansiosas. As suas maiores preocupações são a transmissão do VIH aos filhos e o seu futuro, a gravidez e o parto e a evolução da doença; as grávidas encontram-se insatisfeitas com a informação/apoio por parte dos profissionais de saúde e desejam outros tipos de suportes. Destas conclusões emergem algumas sugestões para a prática dos cuidados: promover uma política de promoção de saúde e prevenção da doença, desenvolvendo programas de informação e educação, extensivas a toda a população; proporcionar oportunidades para as mulheres desenvolverem capacidades relacionadas com a vivência da sua sexualidade e a sua saúde; criar e promover consultas pré-concecionais e de vigilância prénatal permitindo detetar e avaliar fatores de risco físico, psíquico e social que poderão ser minimizados ou suprimidos; criar equipas pluridisciplinares que ofereçam cuidados de saúde que visem a diminuição da transmissão vertical, mas que não descurem o adequado suporte psicossocial. Como ponto de partida para futuros estudos, considera-se importante avaliar a sensibilidade dos profissionais de saúde para a necessidade de formação no âmbito da prestação de cuidados culturalmente adaptados às minorias étnicas e de intervenção junto das mesmas. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 9: Ser mãe hindu. Práticas e rituais relativos à maternidade e aos cuidados à criança na cultura hindu em contexto de imigração, de Ivete Monteiro, dezembro de 2007: A maternidade e os cuidados à criança na cultura hindu em contexto de imigração constituem a temática deste estudo, cujos objetivos são identificar as conceções sobre a maternidade e cuidados à criança das mulheres da comunidade hindu, analisar quais as práticas e cuidados relativos à maternidade e à criança que são mantidos da cultura de origem, analisar o que foi introduzido nessas práticas da cultura de acolhimento e analisar a forma como as práticas da maternidade são transmitidas entre estas mulheres. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, analítico e transversal, baseado numa metodologia qualitativa, tendo sido escolhidas a entrevista semiestruturada, a observação fílmica, a observação fotográfica e a observação participante como instrumentos de colheita de dados. Estes instrumentos de pesquisa, aplicados a mulheres hindus residentes na área metropolitana de Lisboa, permitiram conhecer a cultura hindu numa perspetiva mais alargada, englobando algumas variáveis, relacionadas com a imigração, que influenciaram a prática da maternidade hindu. Conclui-se que existem práticas e crenças, transmitidas de geração para geração de um modo informal, sobretudo através da tradição oral e através da observação de práticas e comportamentos, que continuam a ser seguidas e respeitadas, mesmo quando inseridas num contexto de imigração. A influência da cultura de acolhimento faz-se sentir de forma ténue nos cuidados, embora seja mais visível nas mulheres mais jovens que nasceram e cresceram em Portugal (segunda geração) e nas jovens que não vivem com familiares mais velhos, as quais não possuem uma base de referência sólida. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 8: Conhecimentos, atitudes e práticas sobre planeamento familiar de mulheres timorenses residentes em Portugal, de Helena Isabel Borges Manuel, maio de 2007: Este estudo centra-se nos conhecimentos, atitudes e práticas relativamente ao Planeamento Familiar revelados por mulheres timorenses residentes em Portugal. No enquadramento teórico, aborda-se o Planeamento Familiar na sua globalidade, Timor-Leste nos seus diversos aspetos, e a comunidade timorense residente em Portugal. Trata-se de um estudo de carácter exploratório e descritivo, tendo sido utilizada uma metodologia de natureza qualitativa. Foi selecionada a entrevista semiestruturada como instrumento de recolha de dados relativos à população em estudo, que consistiu numa amostra intencional de vinte mulheres timorenses. A análise de conteúdo foi o processo utilizado na análise dos dados. Após ter sido feita a caracterização da população em estudo, procurou-se estabelecer um paralelo entre a situação vivida em Timor-Leste e a que passou a verificar-se após a sua vinda de Timor para Portugal, relativamente ao Planeamento Familiar. Para finalizar, procedeu-se à análise das perceções sobre o aborto. Ao longo da análise, houve simultaneamente recurso à literatura sobre o tema e a informações obtidas por intermédio de informadores privilegiados. Tese disponível aqui.
 


TESE OM 6: Em busca de um bom médico quando a saúde não tem fronteiras. Perceções dos cabo-verdianos sobre profissionais de saúde na Holanda, de Cláudia de Freitas, abril de 2006: Esta dissertação de mestrado procurou, a partir de estudos de caso de imigrantes cabo-verdianos, analisar os serviços de saúde da Holanda. Para este efeito, foram analisadas as perspetivas dos cabo-verdianos relativamente às características que definem um bom médico, assim como as suas expectativas e experiências com profissionais de saúde na Holanda. Identificaram-se três barreiras no acesso de imigrantes aos cuidados de saúde: a falta de informação sobre os serviços de saúde disponíveis; problemas de relação entre utentes de origem imigrante e os profissionais de saúde; e, finalmente, dificuldades sentidas pelos utentes imigrantes em lidar com a condicionalidade da ajuda prestada. Apesar das barreiras encontradas, os cabo-verdianos não poupam esforços para beneficiar de boa saúde, colocando em prática duas estratégias com o objetivo de aceder a cuidados de saúde de boa qualidade. Por um lado, os cabo-verdianos tentam adaptar o seu comportamento enquanto utentes dos serviços ao modelo prevalecente na Holanda. Por outro lado, recorrem ao uso de cuidados de saúde transnacionais noutros países da Europa, incluindo Portugal e França. Estas estratégias corroboram a perseverança dos cabo-verdianos em encontrar os cuidados de saúde que melhor se adequam às suas necessidades. Tese disponível aqui.


TESE OM 4: Os Imigrantes ucranianos em Portugal e os cuidados de saúde, de José Edmundo Furtado de Sousa, março de 2006: Esta tese reúne os principais resultados de um estudo desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado em Relações Interculturais pela Universidade Aberta. O autor desenvolve um enquadramento teórico para a análise dos cuidados de saúde prestados a imigrantes ucranianos em Portugal, onde equaciona questões como globalização, migrações, cidadania, processos de aculturação, conceitos e representações de saúde e doença. É elaborado um diagnóstico da população imigrante ucraniana que recorre aos serviços de saúde, através da análise sociodemográfica e da aplicação de dois inquéritos – a imigrantes ucranianos e a profissionais de saúde –, procurando identificar processos de aculturação em presença, a situação do acesso aos cuidados de saúde e as relações que se estabelecem entre os atores sociais envolvidos na sua prestação. Conclui que a construção de um cuidado de saúde culturalmente competente passa pela capacidade do profissional de saúde analisar a cultura do outro, mas também analisar essa cultura enquanto processo de integração na sociedade de acolhimento, é um cuidado de saúde construído em processo. Tese disponível aqui.


Revista Migrações

REVISTA MIGRAÇÕES 14: “Tuberculose e imigração em Portugal: características sociodemográficas, clínicas e fatores de risco”, de Rute Gomes, Sónia Dias e Carla Nunes, pp. 9-23, dezembro 2017: O fenómeno das migrações tem um impacto crescente na epidemiologia local da Tuberculose (TB), com especial relevância na Europa Ocidental. Em Portugal, este impacto é ainda reduzido mas acompanha esta tendência crescente. O objetivo do estudo é caracterizar os casos de TB notificados em Portugal Continental, na população imigrante e compara-los com os casos de TB na população não imigrante, considerando características sociodemográficas, clínicas e fatores de risco. Foi desenvolvido um estudo observacional descritivo baseado nos dados do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica da TB. Foram observados diferentes padrões nestas duas populações, sendo os imigrantes mais jovens comparativamente, com maior risco de infeção. Artigo disponível aqui.

REVISTA MIGRAÇÕES 14: “Comportamentos de saúde e bem-estar de adolescentes portugueses e estrangeiros residentes em Portugal em contextos de recessão económica”, de Margarida Gaspar de Matos, Tânia Gaspar e Cátia Branquinho, pp. 24-36, dezembro 2017: O presente estudo tem como objetivo compreender a evolução dos comportamentos de saúde e de risco dos adolescentes portugueses e estrangeiros a viver em Portugal entre 2010 e 2014, período que coincide com a recessão económica. Conta com a participação dos adolescentes incluídos no estudo HBSC – Health Behaviour in School-aged Children, em 2010 e 2014 em Portugal, incluindo 11.079 jovens do 6º, 8º e 10º anos de escolaridade. Conclui-se deste estudo que apesar da evolução em geral favorável da saúde e bem-estar dos adolescentes, se identificam algumas fragilidades. Esta investigação vem reforçar a importância de prevenir os efeitos da recessão económica na saúde e nos comportamentos dos adolescentes e aponta algumas implicações nas políticas públicas nomeadamente na área da educação e saúde. Artigo disponível aqui.

REVISTA MIGRAÇÕES 14: “Políticas da cura, retóricas da cultura: encontros e desencontros entre mediadores e imigrantes”, de Chiara Pussetti, pp. 37-53, dezembro 2017: Em Portugal, o incremento dos fluxos migratórios de mulheres, idosos e crianças a partir da década de 1990 tem gerado a necessidade de criar dispositivos de qualidade, culturalmente competentes, nos serviços educativos e sanitários. Surge nestes anos a figura profissional do mediador cultural, destinada a facilitar a realização da igualdade de oportunidades de acesso aos principais direitos sociais: educação, direito, trabalho e justiça. Na base do trabalho de campo que realizei durante quatro anos em Portugal no âmbito do projeto europeu Transcultural Skills for Health and Care, e da minha própria experiência prévia de pesquisa num serviço de psiquiatria transcultural e de formação de mediadores culturais em contexto clínico, irei debater necessidades, desafios, paradoxos e ambivalências da mediação intercultural nos serviços sociais dirigidos à população imigrante. Artigo disponível aqui.

 


REVISTA MIGRAÇÕES 4: “Imigração e saúde - o Gabinete de Saúde do CNAI enquanto observatório para o estudo das condições de acesso dos imigrantes aos serviços de saúde”, de Bárbara Bäckström, Amélia Carvalho e Urbana Inglês, pp. 161-189, abril 2009:
Este artigo resulta de um estudo no qual se procuram compreender alguns problemas enfrentados pelos imigrantes no acesso à saúde, através da informação recolhida no Gabinete de Saúde do Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (CNAI). Foi conduzido um estudo qualitativo que abrangeu a análise da documentação bem como a observação de casos de utentes no Gabinete de Saúde. Uma primeira análise mostra que alguns dos problemas estão ligados a obstáculos relacionados com a condição irregular dos imigrantes e no decurso do reagrupamento familiar no que respeita à utilização dos serviços de saúde. Aparecem inúmeros casos de doentes ao abrigo dos acordos de saúde com os PALOP a necessitar de apoio financeiro e social. Este estudo poderá conduzir a uma intervenção nas áreas mais problemáticas, uma melhoria dos serviços de cuidados de saúde que atendem imigrantes, a conquista de um melhor modelo de integração, bem como a articulação entre as diferentes instituições envolvidas. Artigo disponível aqui.



REVISTA MIGRAÇÕES 1, Volume Temático Imigração e saúde, organizado por Sónia Dias (org.), setembro 2007:
Segundo a organizadora da revista, o intuito deste número temático não foi o de adotar uma visão limitada sobre as questões da migração e saúde, que normalmente se centra nos riscos para a saúde associados aos movimentos migratórios, mas alargar a discussão aos desafios, oportunidades e potencialidades subjacentes a este fenómeno. Neste âmbito, procurou-se oferecer no primeiro número da revista artigos de diferentes áreas, como a demografia, a geografia humana, a psicologia, a sociologia, a antropologia, a economia, a ciência política, as ciências da educação e ciências da saúde. Os trabalhos aqui apresentados refletem pois a preocupação de reunir diversos contributos de diferentes autores e áreas disciplinares sobre a migração e saúde. Procurou-se assim, ter uma visão de largo espectro do tema e acesso a uma diversidade de experiências. Contudo, os contributos reunidos nesta revista constituem apenas uma amostra da variedade de trabalhos que cruzam diferentes sensibilidades e experiências relativamente a um objeto de estudo comum. Encontre a revista aqui.