5. Novidades bibliográficas sobre imigração e línguas

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5. Novidades bibliográficas sobre imigração e línguas

Publicações de organizações internacionais

BAÏDAK, N. (coord.): BALCON, M-P.; e MOTIEJUNAITE, A. (2017), Key Data on Teaching Languages at School in Europe – 2017 Edition. Relatório Eurydice. Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias. Há mais de 60 línguas oficiais na Europa. Esta é um continente considerável e desejavelmente diverso em termos linguísticos, tendo essa diversidade vindo a ser reforçada por afluxos migratórios recentes. A edição mais recente desta publicação descreve as principais políticas educativas no que se refere ao ensino e aprendizagem das línguas em 42 sistemas educativos Europeus. De caminho respondem-se, entre outras, às seguintes questões: Quanto tempo investem os estudantes na aprendizagem de línguas estrangeiras? Quais são as dez línguas estrangeiras com maior oferta? Os professores de línguas estrangeiras fazem parte da sua formação no estrangeiro? Quantos estudantes imigrantes falam a língua de escolarização em casa? E muitas mais. Este relatório pode ser encontrado aqui.

 

Artigos científicos e capítulos em livros científicos

 

BRANCO, I. (2018), “Media and the Receiving Country’s Language: The Integration of Nepalese Immigrants in Portugal”, in KARIM, K. H.; e AL-RAWI, A. (eds.), Diaspora and Media in Europe. Migration, Identity, and Integration. Londres: Palgrave Macmillan, pp. 147-164. Este capítulo analisa os usos dos media – étnicos, mainstream e transnacionais – por imigrantes Nepaleses em Portugal para manter os laços com o país de origem durante o processo de integração. Analisa também como os meios de comunicação do país de acolhimento são utilizados para aprender a respetiva língua. Os resultados mostram a importância dos media em fases distintas das vidas dos imigrantes, dependendo do nível de integração na sociedade de acolhimento. Ao formarem uma nova identidade na qual valores e costumes de culturas diferentes se juntam, ao adaptarem-se a viver num sítio novo e ao manterem ligações ao passado cultural e familiar, os imigrantes encontram nos media ferramentas que os ajudam a vencer barreiras chave inerentes ao processo migratório, em particular a aprendizagem da língua de acolhimento. O livro que este capítulo integra encontra-se disponível aqui no site da editora.

 

CHUNG-FAT-YIM, A.; SORGE, G. B.; e BIALYSTOK, E. (2017), “The relationship between bilingualism and selective attention in young adults: evidence from an ambiguous figures task”, The Quarterly Journal of Experimental Psychology, 70(3), pp. 366-372. Investigações anteriores mostraram que os bilingues superam os monolingues numa variedade de tarefas que têm sido descritas como envolvendo a função executiva (no sentido psicológico de gestão dos processos cognitivos). Mas a natureza do mecanismo concreto que produz esses efeitos e uma definição clara de função executiva têm vindo a eludir os investigadores. Em resultado desta incerteza, têm emergido estudos nos quais a esperada diferença de desempenho entre adultos monolingues e bilingues falha em aparecer. Uma abordagem à clarificação destes assuntos vem de pesquisas que mostram que as crianças bilingues são mais capazes do que as suas pares de ver ambas as interpretações de uma figura ambígua. Esta habilidade está mais ligada à atenção seletiva do que a componentes específicas da atenção seletiva. Este estudo alarga este procedimento aos adultos, tendo os bilingues participantes, a maioria dos quais eram imigrantes, sido mais eficientes, no sentido de terem precisado de menos pistas, do que os monolingues a perceber a segunda imagem. O artigo, que se encontra aqui, conclui que o resultado tem implicações quanto ao papel da atenção seletiva nas diferenças de desempenho entre monolingues e bilingues.

 

MEDVEDEVA, M.; e PORTES, A. (2017), “Immigrant Bilingualism in Spain: An Asset or a Liability?”, International Migration Review, 51(3), pp. 632-666. Este estudo contribui para o debate que se encontra a decorrer sobre vantagem bilingue e examina se jovens imigrantes bilingues têm resultados académicos melhores, similares, ou piores do que um grupo equivalente de monolingues. Usando dados de Espanha, onde cerca de metade dos imigrantes têm o castelhano por língua mãe, os autores não descobriram indícios de custos associados ao bilinguismo: os jovens bilingues beneficiaram das suas competências linguísticas. A sua vantagem, contudo, não se manifestou de forma homogénea em todas as diferentes medidas de resultados examinadas, mas sim numa trajetória que lhes permite aceder a níveis de escolarização superiores. O bilinguismo cancelou o potencial efeito negativos das origens étnicas e ampliou o efeito positivo das ambições parentais. O artigo, que se encontra aqui, discute as implicações destes resultados para a política e a prática.

 

THOMAS-SUNESSON, D.; HAKUTA, K.; e BIALYSTOK, E. (2018), “Degree of bilingualism modifies executive control in Hispanic children in the USA”, International Journal of Bilingual Education and Bilingualism, 21(2), pp. 197-206. Estudos anteriores sobre a função cognitiva de crianças bilingues em idade escolar evidenciaram melhorias na área do controle executivo (no sentido psicológico de gestão dos processos cognitivos) face a crianças monolingues da mesma idade. A maioria destes estudos foi feita com crianças de classe média comparando os seus resultados, como um grupo, com os das crianças monolingues.  O objetivo do presente estudo é determinar se a melhoria cognitiva resultante do bilinguismo é sensível ao grau de bilinguismo numa amostra de crianças de estatuto socioeconómico baixo. Os resultados evidenciaram que quanto mais equilibradas eram as competências linguísticas das crianças das duas línguas, melhores eram os seus desempenhos nas componentes não-verbais da função cognitiva. Estes resultados apoiam uma perspetiva aditiva sobre o bilinguismo na qual quão maior o equilíbrio entre a proficiências nas duas línguas, melhor a função cognitiva, independentemente dos antecedentes socioeconómicos. Este artigo encontra-se aqui.

Livros


GARCÍA, O; JOHNSON, S. I.; e SELTZER, K. (2016), The Translanguaging Classroom: Leveraging Student Bilingualism for Learning. Philadelphia: Caslon. Esta é uma publicação eminentemente prática que tem por objetivo mostrar a professores e outros profissionais de educação como utilizar a práticas linguísticas dinâmicas dos bilingues para assegurar a igualdade de oportunidades nas salas de aula. Trata-se assim de apoiar os estudantes bilingues na abordagem e entendimento de textos complexos; fornecer aos estudantes bilingues oportunidades de desenvolver práticas linguísticas para meios académicos; dar espaço ao bilinguismo e formas de entendimento dos estudantes; e apoiar o desenvolvimento socioemocional dos estudantes e as suas identidades bilingues. O livro encontra-se disponível aqui no site da editora.

 


SHIN, S. J. (2017), Bilingualism in Schools and Society Language, Identity, and Policy, Second Edition. Nova Iorque e Londres: Routledge. Esta edição revista constitui uma introdução acessível aos aspetos sociolinguísticos e educacionais que rodeiam o bilinguismo, incluindo o code switching na música popular, publicidade e espaços online. Também aborda o tema a um nível mais pessoal, incluindo considerações bem informadas sobre o que significa estudar e viver com múltiplas línguas num mundo globalizado e conselho práticos sobre a educação de crianças bilingues. Esta nova edição incorpora tratamentos de um leque mais variado de tópicos, discussões da relevância de conceitos emergentes como superdiversidade para a compreensão do tema e estatísticas atualizadas. Firmemente alicerçado na análise de investigações empíricas com crianças e adultos, o texto disponibiliza-se a servir de base a cursos sobre bilinguismo em curos sobre o ensino de línguas. O livro encontra-se disponível aqui no site da editora.

 


WEISSKIRCH, R. S. (ed.). (2017), Language brokering in immigrant families: Theories and contexts. Nova Iorque e Londres: Routledge. Este volume reúne um conjunto de investigadores internacionais com o objetivo de partilhar os seus resultados sobre intermediação linguística realizada pelas crianças de imigrantes em benefício dos seus pais e de outros adultos. Dado o volume dos fluxos migratórios globais, é importante perceber como é que este trabalho de intermediação pode apoiar a aculturação das famílias nos países de acolhimento. Os diversos capítulos incluem apanhados da literatura existentes, visões de diversas disciplinas, os potenciais benefícios e inconvenientes da intermediação, e os contextos que podem influenciar a intermediação. Com base nas descobertas mais recentes, os autores teorizam como a intermediação linguística pode funcionar e quais os resultados para os que a protagonizam. O livro encontra-se disponível aqui no site da editora.

 

Dissertações de mestrado

GRIANI, S. (2017), Línguas, Encontros e Identidades: as Dinâmicas do Plurilinguismo e a Comunidade Italiana em Portugal. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (dissertação de mestrado). Esta dissertação efetua uma primeira descrição do perfil socioprofissional e linguístico da atual comunidade italiana em Portugal, investigando a sua integração no país de acolhimento e a sua relação com a língua portuguesa. Esta dissertação encontra-se disponível aqui no repositório da universidade.

 

ZHAO, N. (2017), O Ensino de PLNM no Ensino Básico a Alunos Chineses Recém-chegados a Portugal: um Estudo de Caso. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (dissertação de mestrado). Esta dissertação conclui haver uma atitude positiva e aberta à língua e à cultura chinesas no acolhimento dos alunos dessa proveniência. Contudo esta não chega, só por si, para ultrapassar dificuldades concretas que importa conhecer. Ao nível dos materiais pedagógicos disponíveis, tanto a qualidade como a quantidade se afiguram insuficientes para as necessidades dos alunos. Outra dificuldade resulta da raridade das oportunidades que estes alunos têm de contactar com a língua portuguesa quando se encontram fora da escola. O pouco uso do Português em contexto familiar e pouco conhecimento do mesmo pelos pais é aliás um condicionamento à partida do seu envolvimento com a trajetória escolar dos filhos. Do mesmo modo, a vasta maioria dos professores carecerá também das competências linguísticas em Mandarim ou Cantonês que sustentariam eventuais tentativas suas de contactar e envolver a família. Esta dissertação encontra-se disponível aqui no repositório da universidade.