Destaque Estatístico OM: Envelhecimento e imigração na UE28

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Destaque Estatístico OM: Envelhecimento e imigração na UE28

O envelhecimento populacional é uma das mais significativas tendências do século XXI e é atualmente um fenómeno à escala global, que afeta todas as regiões do mundo. O envelhecimento é o resultado da melhoria global das condições de vida da sociedade: o avanço da medicina, a melhoria dos cuidados de saúde, nutrição, bem estar-económico, educação, permitiram aumentar a esperança média de vida da população na generalidade dos países do mundo. O aumento da esperança média de vida conjugado com a baixa acentuada da natalidade (fenómeno do duplo envelhecimento), observada muito particularmente nos países da União Europeia, faz hoje da Europa uma das regiões mais envelhecidas do mundo. O crescente e rápido aumento do envelhecimento coloca desafios sociais, económicos e políticos e tem impacto, designadamente, na sustentabilidade do sistema de segurança social ou na disponibilidade de efetivos da população ativa. Neste âmbito é interessante analisar os efeitos que a imigração pode ter (no atenuar ou intensificar) no envelhecimento demográfico da Europa.

 

Sabia que é na União Europeia que estão quatro dos cinco países mais envelhecidos do mundo, entre os quais Portugal?

 

Em 2018, a estrutura da população da UE28, de acordo com os principais grupos etários, apresentava a seguinte composição: 15,6% da população era constituída por jovens (0-14 anos), 64,7% da população encontrava-se em idade ativa (15-64 anos) e 19,7% representava o grupo da população idosa (65 e mais anos).

 

Estrutura da população, por grupos etários, nos países da União Europeia, a 1 de janeiro de 2018

Fonte: EUROSTAT (Sistematização, cálculo e tratamento gráfico da Equipa do OM).

 

De acordo com os dados divulgados pelo Eurostat, a Itália é o país da UE28 com a maior percentagem de idosos na sua população (22,6%) e a menor percentagem de jovens (13,4%). Na posição oposta, encontrava-se a Irlanda com a menor percentagem de idosos (13,8%) e surgindo de forma destacada com a maior percentagem de jovens (20,8%). A Grécia é o segundo país da UE 28 com maior percentagem de idosos (21,8%), seguindo-se Portugal, na terceira posição (com 21,6%).

Entre 2008 e 2018 a estrutura demográfica dos países da UE28 sofreu profundas alterações, tendo-se agravado o desequilíbrio demográfico entre população idosa e a população jovem e em idade ativa: no conjunto da UE28, a população idosa cresceu (+2,6 pp), enquanto a população jovem e em idade ativa diminuíram (-0,2 pp e -2,5pp, respetivamente). Malta (+4,9pp),Finlândia (+4,9pp), República Checa (+4,6pp) e Holanda (+4,2pp) foram os países que registaram o maior crescimento de população idosa na última década. Portugal aparece na quinta posição com um aumento de +3,8 pp. Por sua vez, Luxemburgo (+0,3pp), Alemanha (+1,3pp), Áustria (+1,6pp) e Bélgica (+1,6pp) foram os Estados-membros com as menores subidas entre 2008 e 2018.

 

Variação da estrutura da população, por grupos etários, nos países da UE28, entre 2008 e 2018 (em pontos percentuais)

Fonte: EUROSTAT (Sistematização, cálculo e tratamento gráfico da Equipa do OM).

 

A diminuição da população em idade ativa (15-64 anos) no total da população ocorreu igualmente em todos os países da UE28, à exceção do Luxemburgo que observou um crescimento (+1,8pp). A República Checa foi o país da UE28 que observou uma diminuição mais acentuada na última década (-6,1pp), seguido da Eslovénia (-4,3pp), Bulgária (-3,4pp) e Finlândia (-4,2pp). Em Portugal a redução da população ativa no total da população foi inferior à média da UE28 (-2,1pp). 

A redução da natalidade na UE28 originou também uma redução da população jovem (0-14 anos). Na última década, dezoito Estados-membros registaram uma diminuição da população jovem no total da população: Malta (-2,2pp), Luxemburgo (-2,1pp) e Eslováquia (-2,2pp), aparecem em primeiro lugar, seguidos de Portugal, Holanda e Dinamarca (-1,8pp cada). Por oposição, na Letónia (+1,8pp), Estónia (+1,5pp), República Checa (+1,5 pp) e na Eslovénia (+1,1pp) observou-se um aumento da importância dos jovens na estrutura etária.

Por consequência, na última década (entre 2008 e 2018) a idade mediana da população aumentou, quer no conjunto da UE28 (+2,2 anos, assumindo a mediana 43,1 anos em 2018), quer em cada um dos Estados-membros, surgindo a Itália e a Alemanha como os países da UE28 com idade mediana mais elevada, respetivamente 46,3 anos e 46,0 anos. Na posição oposta surgem Chipre (37,5 anos) e Irlanda (37,3 anos) com menor idade mediana. Em Portugal a idade mediana da população é de 44,8 anos, sendo o país da UE28 que observou o maior aumento (+4,4 anos) durante a última década (entre 2008 e 2018).

 

Variação da Idade mediana da população nos Países da UE28, entre 2008 e 2018

Fonte: EUROSTAT (Sistematização, cálculo e tratamento gráfico da Equipa do OM).

 

Sabia que são os imigrantes de países extracomunitários os que têm idades mais jovens, ativas e em idade fértil nos países da UE28, atenuando o envelhecimento demográfico da população desses países?

 

População com 65 e mais anos, por nacionalidade, na UE28, a 1 de janeiro de 2018

Fonte: EUROSTAT (Sistematização, cálculo e tratamento gráfico da Equipa do OM).

 

A análise dos indicadores demográficos por grupos da população coloca em evidência os contrastes que existem entre a população nativa e a população estrangeira. A estrutura etária da população nativa apresenta um perfil mais envelhecido do que a da população estrangeira para a generalidade dos países da UE28. Na generalidade dos países da UE28, os estrangeiros residentes que nasceram num país da UE28 são mais velhos que os estrangeiros oriundos de países terceiros. Estes resultados são consistentes com as motivações que estão na origem do fluxo migratório de cada um dos grupos populacionais: em geral, os fluxos imigratórios da população proveniente de países fora da UE28 são determinados por razões de trabalho, quando no caso dos migrantes de outros Estados-membros as motivações são de ordem diversa, destacando-se o número de reformados nesse universo. 

No Reino Unido os idosos representam cerca de 24% da população nativa (país da UE28 onde assumem maior importância relativa), quando a na população estrangeira a percentagem de idosos não vai além dos 4%, tanto na população estrangeira proveniente de países da UE28, como de países terceiros. Portugal, com 20,8% de idosos na população nativa, ocupa a 7ª posição, à frente da Espanha e da Grécia. A estrutura etária da população estrangeira em Portugal revela, contudo, uma diferenciação significativa entre os estrangeiros provenientes de países da UE (24,7% de idosos, +4pp que os nativos) e os estrangeiros provenientes de países terceiros (13,1% de idosos, -8pp que os nativos). A Bulgária é o país da UE28 com menor percentagem de idosos na população nativa (15%), registando valores mais baixos quer na população estrangeira europeia (13,1%) quer extraeuropeia (8,6%). É na República Checa onde a percentagem de idosos estrangeiros extracomunitários é menor (1,3%) e, em contraste, é na França (245,4%), Irlanda (28,4%) e Dinamarca (36,6%) onde a importância relativa de idosos é maior no total de residentes estrangeiros de países terceiros à UE28.

O Índice de envelhecimento nos vários Estados-membros também evidencia grandes diferenças em função da nacionalidade da população residente (população nativa, migrante comunitária ou migrante extracomunitária). Na generalidade dos países da UE28, o Índice de envelhecimento da população nativa é superior a 100, o que significa que o número de idosos é superior ao número de jovens. A 1 de janeiro de 2018, a Itália ocupa a primeira posição com um Índice de envelhecimento da população nativa de 187, seguido da Alemanha com 170, Grécia com 168 e Portugal, na quarta posição com 157 pessoas idosas por cada 100 pessoas jovens nativos. A Irlanda regista o Índice mais baixo de toda a UE28, com apenas 68 idosos por cada 100 jovens nativos.

O índice de envelhecimento dentro da população estrangeira apresenta grandes contrastes de acordo com os países de proveniência da população: em geral o Índice de Envelhecimento dos estrangeiros extracomunitários é muito inferior ao da população nascida em outro Estado-membro da UE28. No caso da Itália, o Índice de envelhecimento da população estrangeira de países terceiros é de apenas 22. Em Portugal, o índice de envelhecimento dos extracomunitários é de 50, correspondendo a um terço do observado na população portuguesa (157) e cerca de cinco vezes menos do observado entre os imigrantes comunitários (262).

 

 

Índice de envelhecimento na UE28, de acordo com os grupos da população, a 1 de janeiro de 2018

Fonte: EUROSTAT (Sistematização, cálculo e tratamento gráfico da Equipa do OM). // Nota: O índice de envelhecimento corresponde à “relação entre a população idosa e a população jovem, definida habitualmente como o quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos (expressa habitualmente por 100 pessoas dos 0-14 anos)”.

 

A evolução dos Índices de dependência total revela também o desequilíbrio na estrutura etária da população. O índice de dependência total mede a relação entre o número de pessoas em idade não ativa (jovens e idosas) e o número de pessoas em idade ativa (15-64 anos). Globalmente este indicador tem aumentado na UE28, por via do crescimento da população idosa, acentuando-se a pressão demográfica sobre a população ativa.

Na globalidade dos Estados-membros, o índice de dependência da população nativa é superior ao da população estrangeira. O Luxemburgo é o país da UE28 que apresenta o índice de dependência da população nativa mais elevado (78), ao mesmo tempo que para a população estrangeira da UE e de fora da UE residente no país regista os valores mais baixos (36 e 19, respetivamente). Neste indicador, entre os 28 Estados-membros, Portugal encontra-se na nona posição, com 62 pessoas para o índice de dependência total entre a população nativa e 72 para os estrangeiros comunitários e 33 para os estrangeiros extracomunitários residentes. A Irlanda é o país com um índice de dependência mais baixo para a população nativa (42), e apresenta um índice da população comunitária residente de 35 e de países terceiros de 17.

 

Índice de dependência total na UE28, de acordo com os grupos da população, a 1 de janeiro de 2018

Fonte: EUROSTAT (Sistematização e tratamento gráfico da Equipa do OM). // Nota: O Índice de dependência total “corresponde à relação entre a população jovem e idosa e a população em idade ativa, definida habitualmente como o quociente entre o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos conjuntamente com as pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15-64 anos (expressa habitualmente por 100 pessoas com 15-64 anos)”.

 

Por sua vez no Índice de dependência de idosos, que corresponde ao número de idosos por cada 100 pessoas em idade ativa, também se identificam discrepâncias entre os grupos da população residente, sendo o índice mais elevado na população nativa do que na população estrangeira. A Itália é o país com maior índice de dependência de idosos na população nativa (39 pessoas idosas por cada 100 pessoas em idade ativa), caindo este indicador para 5 no caso da população estrangeira residente nesse país. Portugal surge na quinta posição com 34 idosos por cada 100 nativos ativos, descendo o índice para 25 no caso dos estrangeiros provenientes da EU28 e para 6 no caso dos cidadãos extracomunitários.

 

Índice de dependência de idosos na UE28, por grupos da população, a 1 de janeiro de 2018

Fonte: EUROSTAT.. Sistematização e tratamento gráfico da Equipa do OM. // Nota: De acordo com a definição do INE, Índice de dependência de idosos “corresponde à relação entre a população idosa e a população em idade ativa, definida habitualmente como o quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15-64 anos (expressa habitualmente por 100 pessoas com 15-64 anos)”.