Casamentos Mistos na Europa

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Casamentos Mistos na Europa

Sabia que a prevalência de casamentos mistos nos diferentes países europeus é diversa em função das experiências migratórias dos países? 


A partir dos dados mais recentes disponibilizados pelo Eurostat, apurou-se a percentagem de casamentos mistos no total de casamentos celebrados em cada país europeu. A percentagem de casamentos mistos refere-se à percentagem de casamentos em que um dos cônjuges tem nacionalidade do país que reporta os dados e o outro cônjuge tem nacionalidade de um país estrangeiro.

Em 2015, os países europeus que registaram as percentagens mais elevadas de casamentos mistos (representados no mapa a roxo mais escuro) foram a Suíça (36%) e o Luxemburgo (29,7%) – países de imigração mais antiga e com maior percentagem de estrangeiros no total de residentes no país: no mesmo ano, os estrangeiros representavam 47% do total de residentes no Luxemburgo e 25% do total de residentes na Suíça. Com percentagens significativas situavam-se ainda o Montenegro (23,1%), Áustria (22,8) Eslovénia (18,4%), Noruega (17,9%).

Fonte: Eurostat; dados Alemanha: Statistisches Bundesamt; dados Áustria: Statistik Austria; dados França:
Institut National de la Statistique et des Études Économiques. (sistematização e projeção em mapa pela
Equipa do OM). //Nota:*Casamentos mistos: casamentos em que um dos cônjuges tem nacionalidade
do país que reporta os dados e o outro cônjuge tem nacionalidade estrangeira.// Não foi possível apurar
dados para a Bélgica, Chipre, Irlanda e Reino Unido.

 

Ainda segundo os mesmos dados, e por contraste, observa-se que os países europeus que evidenciam as percentagens mais baixas de casamentos mistos (representados no mapa a azul mais escuro) são a Polónia (2,0%), a Hungria (2,5%), a Turquia (3,7%), Albânia (4,2%) e Croácia (5,4%), sendo também países onde a população estrangeira residente é residual (na Polónia os estrangeiros representam 0,4% do total de residentes, na Hungria representam 1,6%, na Turquia 0,8% e na Croácia 1,1%). 

De notar que a Espanha e a França (no mapa representados a cor-de-rosa mais escuro) também se destacam no que toca a casamentos mistos (França com 14,3% e Espanha 12,7%). Para estes valores muito contribui, no caso da França, a sua experiência de imigração e, no caso de Espanha, o peso da população estrangeira no país (que em 2015 atingia os 9,5%), nomeadamente da América Latina com afinidade histórica e linguística com o país.

Na Alemanha (a cor-de-rosa claro no mapa) os casamentos mistos representam 11,5% (sendo que os estrangeiros representam também 11% da sua população residente), um valor muito semelhante ao valor alcançado por Portugal (11,6% de casamentos mistos).

No que toca à percentagem de casamentos mistos apurada para Portugal, os dados revelam valores significativos se considerarmos que se trata de um país de imigração recente e que neste mesmo ano a população estrangeira apenas representava 3,8% do total de residentes no país. Por outro lado, Portugal contrasta neste âmbito com outros países onde a imigração também é um fenómeno recente, como a Grécia ou a Itália (onde a percentagem de casamentos mistos é de 8,1% e 9,1%, respetivamente) e onde a percentagem de estrangeiros residentes é superior à registada em Portugal (na Grécia os estrangeiros representam 7,4% e em Itália 8,2%).

A importância relativa de casamentos mistos em Portugal deve atender a alguns aspetos enquadradores: os casamentos mistos em Portugal podem ocultar, na realidade, algumas situações de casamentos entre cônjuges naturais do estrangeiro, ou seja, entre cidadãos de nacionalidade estrangeira e “novos” cidadãos portugueses (naturais do estrangeiro que entretanto adquiriram a nacionalidade portuguesa) – vd. Oliveira e Gomes, 2014Oliveira e Gomes, 2017. Por outro lado, há que atender à experiência emigratória portuguesa que induz a outros casamentos mistos que integram também casamentos entre cônjuges portugueses com descendentes de emigrantes portugueses já com outras nacionalidades. Como também explicitam Rosa et al. (2004: 91) “não são de excluir as hipóteses de o casamento, por exemplo, de africanos dar-se com nacionais portugueses de ancestralidade africana, e o casamento com europeus dar-se entre portugueses e ‘estrangeiros´ descendentes de emigrantes portugueses, entretanto chegados a Portugal”.