Destaque Estatístico OM: Qualificações dos residentes na UE28

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Destaque Estatístico OM: Qualificações dos residentes na UE28

A União Europeia tem vindo a apostar em políticas de educação e formação como motor de desenvolvimento, coesão e integração da população imigrante. Os benefícios associados à imigração podem também, neste campo, traduzir-se através do envolvimento e valorização das competências que a população imigrante disponibiliza para o mercado de trabalho e no fomento da sua participação ativa através do intercâmbio de valores culturais junto dos países de acolhimento.

Os fluxos migratórios abrem assim oportunidades para os países da UE que enfrentam problemas de envelhecimento como resposta para ultrapassar os problemas associados à escassez de mão-de-obra, o que reforça o papel fundamental das políticas de educação e formação. 

É ainda importante sublinhar que o caminho para a integração da população imigrante não se resume apenas a identificar o quadro de competências e a forma como podem ser desenvolvidas e utilizadas. O caminho envolve a promoção e o bem- estar social da população imigrante, reconhecendo os benefícios da imigração, apoiando a sua participação no mercado de trabalho, apoiando a valorização das suas competências e contribuindo para a criação de um clima de bem- estar e sentimento de pertença junto das comunidades de acolhimento.

Neste destaque são analisados alguns dos indicadores estatísticos para a educação, definidos no quadro da Declaração de Zaragoza, adotada em 2010 pela UE com o propósito de avaliar e acompanhar as políticas de integração da polulação imigrante, de forma harmonizada e coerente em todos os Estados-membros. Os dados analisados têm como base a informação estatística mais recente divulgada pelo Eurostat em maio de 2019. Os indicadores estatísticos encontram-se desagregados de acordo com dois grandes grupos da população: nativa (população que nasceu e vive no mesmo país de transmissão dos dados) e população imigrante que vive num país da UE28, diferente do local de nascimento, o qual poderá ser um país da UE28, ou de fora do espaço europeu. Os resultados apresentados permitem uma avaliação da situação na União Europeia e nos respetivos Estados-membros. É evidenciada a posição de Portugal neste contexto, o qual se destaca positivamente em todos os indicadores de integração apresentados neste domínio.

 

Sabia que em 2018 cerca 34,8% da população imigrante extracomunitária com entre 25 e 54 anos, tinha atingido apenas o ensino básico, resultado que traduz o dobro do verificado para a população nativa nos países da UE28?

 

Na última década (2008-2018) a UE28, no seu conjunto, registou progressos significativos no domínio da educação. A percentagem da população com 25-54 anos, que apenas concluiu o ensino básico (nível máximo de ensino alcançado) tem vindo a recuar face ao aumento da população com níveis de qualificação mais elevados. Esta tendência é comum a todos os grupos da população, nativa ou imigrante. Contudo subsistem ainda grandes disparidades entre a população que nasceu e reside em países da UE28 (população nativa) e a população imigrante, quer proveniente de países da UE28, quer de países fora da UE28.

A análise por grupos da população coloca em evidência os contrastes que existem entre a população que nasceu num país da UE28 e fora da UE28. Cerca de um terço da população que nasceu fora da UE28 (34,8%) completou no máximo o nível de ensino básico. O mesmo indicador era de 21,3% para a população que nasceu num país da UE28 diferente daquele onde vive e de 17,4% para a população que nasceu e reside no mesmo país da UE28. Estes resultados sugerem que a população que nasceu fora da UE28 é mais suscetível de vir a alcançar níveis de qualificação inferiores, quando comparada com a população que nasceu na UE28.

 

Evolução da população com 25-54 anos que completou no máximo o nível de ensino básico, na UE28 2008-2018 (%)

Fonte: Eurostat

 

Na União Europeia, a análise dos níveis de ensino de acordo com os grupos da população, indica que a população nativa se distribui maioritariamente pelos níveis de ensino superior (35,6%) e secundário (47%), em detrimento do nível básico (17,4%). Pelo contrário, na população imigrante com país de nascimento fora da União Europeia, o nível de escolaridade básico é aquele que tem maior expressão (34,8%), seguindo-se o secundário (34%) e o superior (31,2%). O grupo da população imigrante com país de nascimento na União Europeia, representa um grupo da população com características distintas: a percentagem de pessoas com ensino superior é mais elevada (37%) do que na população nativa (+2,6pp) e apresentam igualmente uma percentagem elevada de pessoas com nível de ensino secundário (41,6%). Estes dados confirmam que neste grupo da população os perfis mais qualificados são mais propensos à migração para outros países da UE, o que possivelmente poderá estar relacionado com melhores oportunidades de trabalho.

 

População com 25-54 anos de acordo com o nível de ensino e o país de naturalidade, na UE-28, em 2018 (%)

Fonte: Eurostat

 

Sabia que em 2018 a percentagem de mulheres imigrantes em idade ativa na UE28 com ensino superior era maior do que a dos homens imigrantes em iguais circunstâncias, verificando-se a situação contrária nos níveis de escolaridade mais baixos?

 

Em 2018, a percentagem de mulheres em idade ativa que completou o ensino superior era mais elevada do que a percentagem de homens quer na população imigrante quer na população nativa. Na população imigrante extracomunitária (nascimento fora da UE28) a percentagem de mulheres com nível de ensino superior era de 32,4% e a percentagem de homens era de 30%. Na população imigrante intracomunitária (nascimento na UE28) a percentagem era superior, respetivamente 39,7 % para as mulheres e 34,1% para os homens. Na população nativa as taxas da população com ensino superior completo para a população feminina e masculina são as mais elevadas, respetivamente 39,0% e 32,2%. É neste grupo da população nativa que se observa a maior diferença entre os sexos 6,8pp, contra 2,4pp para a população imigrante extracomunitária e 5,6pp para a população imigrante intracomunitária.

Para os níveis de escolaridade inferiores (básico e secundário), há uma maior proporção de homens do que de mulheres em todos os grupos da população, tanto nativa como imigrante, sendo também esta diferença mais acentuada na população nativa.

 

Repartição da população com 25-54 anos, por nível de ensino mais elevado concluído, país de nascimento e sexo, na UE28, em 2018 (%)

Fonte: Eurostat

 

Sabia que em Portugal a percentagem de imigrantes em idade ativa com ensino superior é ligeiramente inferior à média da UE28?

 

Em 2018, cerca de 30,6% dos imigrantes em idade ativa a residir em Portugal tinham completado o ensino superior e 38,2% completaram o ensino secundário. Portugal encontra-se acima da média da UE 28, no que diz respeito à percentagem de imigrantes com ensino secundário, respetivamente, 38,2% e 34% e ocupa a décima quinta posição entre os países da União Europeia, encabeçado pela Croácia (63,7%) e pela Eslovénia (60,7%). No que diz respeito ao ensino superior, Portugal está ligeiramente abaixo da média da UE8 (31,2%) e surge na décima quarta posição entre os países da UE28, relativamente à percentagem de imigrantes residentes com ensino superior, embora à frente de países como a Bélgica (29,4%), Holanda (27,4%), Finlândia (26,7%) Espanha (25,7%), Áustria (25,4%), Alemanha (24,8%) Croácia (19,2%) Eslovénia (15,5%) Itália (13,6%) e Grécia (13,5%) onde a percentagem de imigrantes com ensino superior ainda é menor. Destacam-se na situação contrária, a Bulgária, Polónia, Irlanda, Luxemburgo e Reino Unido em que mais de 50% dos imigrantes em idade ativa tinha completado o ensino superior.

 

Análise da população imigrante nascida fora da UE28, com 25-54 anos de idade, de acordo com o nível de ensino mais elevado atingido, 2018 (%)

Fonte: Eurostat

 

Sabia que a percentagem de imigrantes em idade ativa com ensino superior é em Portugal mais alta que o verificado para a população portuguesa residente?

 

Em 2018 a população imigrante em idade ativa que atingiu o nível de escolaridade equivalente ao ensino superior na União Europeia era ligeiramente inferior à da população nativa (-2,5pp), respetivamente 33,1% e 35,6%. Contudo, os dados de 2018 revelam que em 12 Estados Membros, incluindo Portugal, a percentagem de pessoas com ensino superior era mais elevada no grupo da população imigrante face ao grupo da população nativa. Em Portugal, cerca de 32,9% da população ativa imigrante possui o ensino superior, em comparação com 28,1% na população nativa (+4,8pp). A Bulgária, é o país da UE28 onde esta diferença é mais significativa (cerca de 30pp), seguindo-se o Luxemburgo.

 

Repartição da população com 25-54 anos com nível de ensino superior, por país de nascimento, 2018 (%)

Fonte: Eurostat. Nota: Representados apenas os países com dados disponíveis